sábado, 24 de novembro de 2012
CÉU DOS IMPROVÁVEIS
Seis da manhã, a vida passa
em pernas apressadas,
o tempo corre atrás do minuto
perdido, jogado ao léu.
Na viela, o mundo subindo
e descendo em disparada
sob o sol ainda envergonhado.
Sem preocupação com o corre-corre,
tampouco com a vergonha do sol,
o casal, na cama da calçada,
por ânsia improvisada,
dorme o sono dos justos.
Têm por companhia as latinhas,
vazias, sorvidas na felicidade
do saber viver a doce mistura
de álcool e estrelas, adormecidos
e sorridentes sob o manto azul
e cúmplice do céu dos improváveis.
Dalva Molina Mansano
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O céu dos improváveis é a mais rica metáfora que já pude ver sobre as contrastantes, duais facetas das vivências e experiências do ser humano. Numa poesia belíssima, uma constatação triste mas tão real, em dias em que o mundo nos parece não enxergar as diferenças dos iguais. Lindo, lindo, minha amiga, com a sua marca inconfundível do grande ser humano que é. Beijo.
ResponderExcluirlindo poema Dalva, poetamiga!Parabéns. beijos
ResponderExcluirMaravilhoso! Um outro olhar - e muito mais bonito - sobre a nossa realidade.
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