sábado, 24 de novembro de 2012
QUEBRANTO
Não, não cuido mais da poesia,
não planto flores e não faço versos,
para não semear discórdia vazia
colher dores em olhos imersos.
Melhor cultivar salsa e cebolinha,
temperar o insosso da vida
e não fenecer à espera, sozinha
da rega necessária e acolhida.
Arruda pra olho gordo e irritado,
um pé de comigo-ninguém-pode
que espante mau-olhado
e os estilhaços da bomba que explode.
Espada de São-Jorge para proteger,
alecrim que me segure o coração,
marcela para o sono me trazer,
camomila que acalme a aflição.
Pra tirar a cisma descontrolada,
melissa ou erva-cidreira, capim limão
miudeza sem eira nem beira, desavisada
malfadada, que altera a pressão.
Suavizar a dor e o sentimento
com erva-de-santa-maria e arnica,
fazer um poderoso unguento
que cure o mal da batata tiririca.
A pimenta bem vermelha
pra tirar inveja e coisa ruim
da erva - daninha, essa fedelha
que sozinha, destrói um jardim.
Flor eu gostaria de plantar,
Mas tenho medo que feneça
Sem o carinho de um olhar
E em seu ocaso eu entristeça.
Então, perco a poesia,
debalde, não vou mais procurar,
não vale a pena espalhar versos
e canteiros perfumar.
O caçador é implacável
impede a ave de voar,
perdoe-me, cântico adorável
não vou mais poetizar.
Pouca rega à planta é morte
assim, não semeio os sonhos meus
as ervas tem poder forte
porém, mais forte é Meu Deus.
Dalva Molina Mansano
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