Dalva Molina-Encantamento

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QUINTAL DE CASA

domingo, 18 de novembro de 2012

O MENINO E SUA LANCHEIRA



fOTOS: Google


(Conto um conto e não aumento um ponto)

O MENINO E SUA LANCHEIRA

Pelas minhas mãos, ia o menino e sua lancheira.
Brilhavam os seus olhos com a mesma intensidade
com que ele se agarrava em cada dedo meu.
Doía-me aquela separação momentânea a que éramos forçados.
Lágrimas furtivas corriam de nossos olhos.
Jamais me esquecerei daquele rostinho na janela,
quando retornei para buscá-lo,
permanecia com o olhar da despedida,
esperando por mim.
Pus-me a pensar em quanto deveria ter sofrido aquele pequeno coração,
que não conseguia entender ainda o motivo daqueles momentos distantes,
talvez um fato sem nexo para ele.
Houve o decisivo dia, em que a caminhada deveria se iniciar;
houve o encontro dos olhos, as nossas mãos nervosas
e suadas que não se desenlaçavam.
Houve a dor... Aconteceram os passos em direções opostas.
Da lancheira, ficaram os sabores de cada tarde;
da janela, o intenso e perscrutável olhar;
das mãos que se soltaram, ficou a confiança no porvir;
dos corações, o amor que jamais enfraqueceu;
dos passos seguindo setas contrárias, a certeza
de que assim são traçados os caminhos em busca do saber.
O menino transformou-se em homem
e o homem escolheu o seu destino.
Hoje, nossas mãos novamente se enlaçam
e, num abraço, juntamos nossos corações emocionados.
Batem eles forte, pela conquista obtida,
desde os passos com a lancheira,
aos atuais, carregando a maleta do profissional.
Solto suas mãos e as entrego para o mundo,
a fim de que cumpram, com o calor delas,
a jornada a que destinadas foram,
Sob as Bênçãos Divinas.


Dalva Molina Mansano
Novembro/2012

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