Quando abro a janela ao tempo
e ao meu olhar consciente,
sinto-me como a fiandeira
das histórias dos dervixes.
Demoro-me no passado e presente,
de quem sou, destilo-me e teço
peças mescladas, eu perambulante
dum colorido conjunto ao breu do azeviche.
Vejo o fog em que se perdem os pinheirais,
diviso torres recheadas de vidas
sós em pérgulas economizadas e escondidas.
Entre fumaças, a galope em leitos aluviais
Entrelaço o meu sangue ao dos demais.
Flores exibem-se altaneiras e completas de si,
sob os balcões das mãos de Deus.
Mil anos à frente serão como um dia,
quando penso em belezas de sonhos meus
e em grandezas de plenitude e alforria.
Sonhando medito, intuo que da vida,
se ricamente usufruída,
decorre o amadurecimento humano.
Há um frio precoce lá fora,
é manhã de fim de outono
contrapondo-se ao vigor dos batimentos.
Restritos e confinados, sem aurora
agitam-se os pulsares em lamentos.
Experimentando júbilos e tristezas,
riem e choram, transpõem o tempo
da juventude à velhice num cego salto ao precipício.
Espaço de um dia terreno no cérebro do homem denso
despendendo ao vento um único minuto nisso.
Tecida a tela, vejo corações em oposição ao frio
e que se aquecem ao ritmo de uma segunda-feira.
Sobe o sol, esquenta a terra, vejo a leveza,
não necessito de mais que um dia, aprecio
a aragem passando em correnteza, a alma inteira.
Meus olhos recebem a luz de toda gente, sob o candeeiro
teço a vida tal a fiandeira do conto grego, ponto a ponto
Faço tendas que protejam, observando calmamente deste canto
descubro que o tempo e suas peças deixam-me do fado lanceiro,
num átimo, a escolha da definitiva peça do tabuleiroDalva Molina Mansano
04 de Junho de 2012 16:16
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Que bom você ter me visitado! Deixe-me o encanto de suas palavras. Obrigada.