Renegada e usurpada,
do pai vítima,
pela mãe abandonada.
Sem carícias de mãos humanas,
conheceu o afeto pelas patas de uma mosca,
que levemente pousou em seu braço.
O prazer do mínimo carinho
despertou nela o amor pelo díptero inseto
e amou-o até a morte, guardando-o para si.
Pela janela do hospital,
na melancolia do céu hesitante,
o sol se esconde atrás das nuvens,
o cinzento reflete seus sentimentos
na iminência de ir para casa.
As marcas do abandono
na face da garota chinesa
denunciam o suicídio,
em desespero sem sua mosca,
preferiu a morte a viver com os pais.
Inspirado na obra As Boas Mulheres da China - Xinran (Xinran é uma jornalista que entrevistou várias mulheres de diferentes idades (entre 1989 e 1997), procurando entender a realidade de violência e opressão feminina na China da época).
Dalva Molina Mansano
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Este poema emociona, pela realidade!
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