Dalva Molina-Encantamento

Dalva Molina-Encantamento
QUINTAL DE CASA

sábado, 21 de dezembro de 2013

INVESTIR NO PRECONCEITO É INVESTIR NA MEDIOCRIDADE



FOTO: GOOGLE

Desde o nascimento, o homem insere-se na vida em sociedade. Isto pressupõe o estabelecimento de relações de poder e a consolidação de identidades individuais que possibilitem a organização do meio social e a afirmação do indivíduo perante ele.

Tais pressupostos, muitas vezes, podem impelir as pessoas a adotarem posturas preconceituosas para com outras, no intuito de facilitar a própria afirmação e o exercício do poder. Desta forma, ignoram seu potencial de atingir legitimamente esses objetivos, num processo de mediocrização individual e coletiva.

Atitudes preconceituosas configuram-se norteadas e limitadas por princípios pré-estabelecidos, que prescindem de análise racional e crítica por parte de quem as pratica. Dada a potencialidade genuína do homem de exercer sua razão, tais atitudes mostram-se incompatíveis com o ato de existir como ser humano. Praticá-las, portanto, significa desprezar a própria capacidade de julgamento e raciocínio, que justificam a existência humana e promover a mediocridade da espécie.

A inibição de culturas preconceituosas prevê a conscientização do homem quanto ao convívio social, por meio de investimentos em sua educação e formação cultural. Tal conscientização resulta no entendimento do que é ser cidadão e dos direitos e deveres previstos por essa condição, além de mostrar os limites ética e moralmente aceitáveis que permeiam suas ações enquanto membro de uma sociedade.
A educação do indivíduo contribui no enriquecimento e no afloramento dos potenciais que ele possui e que, assim revelados e desenvolvidos, possibilitam-lhe utilizá-los como instrumentos na competição social pelo sucesso, ao invés de atuar preconceituosamente.

Os investimentos na educação também resultam na aculturação dos indivíduos, que, com o raciocínio desenvolvido, podem analisar a si próprios. Isso revela ao homem suas verdadeiras ideias e tendências e, assim, ocorre o desenvolvimento de uma identidade livre de ideologias pré-concebidas e de desvirtuamentos por estas incitados.

Sociedades incapazes de promover tais soluções e que se apresentam impregnadas pelo preconceito tendem à instabilidade e à desestruturação de suas instituições, resultado da falta de ética, da inconsciência cidadã e da sobreposição da mediocridade aos potenciais individuais. Os homens desvalorizam-se e desperdiçam suas forças em conflitos grupais inúteis e prejudiciais ao meio social.

Cabe à sociedade desenvolver métodos que inibam o surgimento de ideias preconceituosas, principalmente através de investimentos em educação. Na persistência do problema, é preciso que se estabeleçam punições que coíbam os preconceituosos.

Importa, então, que as pessoas se conscientizem de que são capazes e de que têm instrumentos para a obtenção do sucesso, sem que para isso seja necessário mediocrizar-se. Até porque não há sucesso que se estruture em bases medíocres.

Dalva Molina Mansano

20.11.2013
23:58

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

COISAS SIMPLES QUE NOS TRAZEM FELICIDADES



FOTO : GOOGLE



Precisando comprar papel para a impressora, entrei hoje numa papelaria. Não sei explicar o motivo, mas elas (as papelarias) sempre me encantam. Na verdade, acho que sei o motivo desse encantamento, sim, mas prefiro não falar dele, poderia parecer trauma e não me agradam os traumas.
Entretida fiquei lá, olhando objetos atraentes. Cartões de Natal? São lindos, bem desenhados, emoções colocadas no papel. Deixei-os lá, porque nada me interessou mais do que um, imaginem, um caderno.
Estava lá com capa dura, araminho em espiral e desenhos coloridos. Tão BONITO, divisões para dez matérias e um cheirinho bom nas folhas.
Comprei-o, trouxe-o para casa e o espio, volta-e-meia. Não vejo a hora de inaugurá-lo e haverá de ser com lápis, grafite nº 2, porque é assim que gosto. Como é bom ter um caderno e escrever, escrever, escrever... isso... no caderno!



Dalva Molina Mansano
20.12.2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

QUALQUER PROGRESSO NO ATO DE ESCREVER PRESSUPÕE OUTRO NA CAPACIDADE DE VER



A evolução do processo de escrita de um indivíduo pressupõe um desenvolvimento proporcional em sua capacidade de apreensão e compreensão do mundo no qual está inserido.
Sem o devido progresso na análise da realidade, a escrita estagna em uma de suas estruturas básicas: a transmissão de uma ideia acerca de um assunto.

O progresso do ato de escrever, oriundo da evolução da criticidade autônoma da realidade, delega ao homem utilidade social, pois suas ideias disponibilizam novas diretrizes para o pensamento e para as ações das pessoas. Além de beneficiar a sociedade, a sensação de utilidade promove a valorização do indivíduo perante si mesmo.

A finalidade de qualquer texto consiste na divulgação de uma maneira de pensar algum fato referente à realidade. O norteamento do texto, tanto em suas metas quanto no caminho até elas, é dado justamente por essas ideias.

A escrita configura o repasse de uma abstração mental, gerada e memorizada pelo cérebro, para o plano material, o que possibilita sua retransmissão e sua perpetuação na realidade física.
A origem de qualquer pensamento esquematizado reside na observância e na análise da sociedade. Consequentemente, estas também promovem o desenvolvimento de um bom texto, embora este pensamento possa até parecer um tanto abstrato.
Escrever bem depende de boas ideias. A geração de ideias provém da captação e de crítica da realidade que cerca o homem. Uma leitura de mundo aprimorada e liberta do senso comum da ingenuidade e da ignorância, instrumentaliza a formulação de pensamentos bem estruturados, realistas e originais.

O desenvolvimento da visão analítica da realidade resulta da convivência crítica no meio social, independente de conceitos e manipulados. O comprometimento com a crítica imparcial das atitudes humanas, físicas ou abstratas, implica a criação de conceitos próprios. Através disso, o indivíduo produz ideias originais que subsidiam e justificam a escrita.

Importa, então, que as pessoas se conscientizem da insuficiência criativa gerada pela acomodação crítica na visão de mundo, quando baseada apenas no olhar coletivo.
Cabe aos indivíduos praticar suas capacidades captação e análise da realidade, para que disto decorra a produção de boas ideias que fundamentarão bons textos.
Quem não sabe ver a realidade não tem o que escrever e, se escrever, perde-se tempo em ler.




28.11.2013
00:27

FILHOS E DORES CONSTITUEM-SE DE URGÊNCIAS



fOTO: google

Era tanto por fazer, tantos compromissos de trabalho a serem cumpridos, e o dia correndo, que parecia terem sido instaladas asas nas pernas dele. Era, praticamente, um avião daqueles grandões, quando, taxiando, toma impulso para decolar. Sim, meu dia estava pronto para decolar, na febre do “é agora ou nunca”. Era necessário terminar coisas iniciadas naquela sexta-feira, antes que o sol se fosse.

De repente, chegou a filha para o almoço com os olhos que tão bem conheço, pedindo ajuda. Semblante preocupado, sorriso amarelo e choro prestes. Ela estava aborrecida com um pequeno contratempo que lhe atrapalhara os projetos.

Ara, ara, que mãe seria eu se não interrompesse tudo, para um abraço duradouro nela, que tanto me pedia um amparo. Os compromissos podem esperar e o trabalho pode ficar para depois, pensei. Filhos e dores não podem e não devem ser deixados para outra hora, porque ambos se constituem de urgências.
Abortei o voo, claro, e devolvi os pés na terra com esta certeza que só mãe tem: filho é filho!

Chamei-a para um abraço, daqueles que guardam bem e fazem sentir o tum tum do outro coração, ali grudadinho. Aproveitei a proximidade e lhe disse ao ouvido: descanse aí no sofá um pouquinho, feche os olhos por uns instantes e espante a preocupação, enquanto me ajeito, passo um batom e ponho o cartão na bolsa. Vamos passear nesta tarde, que será nossa, só nossa.

Lembrei-me, então, de um dia da infância dela, em que eu havia recebido o pagamento salarial e, depois de muitas privações, peguei naquela mãozinha santa e disse: hoje vamos comprar a boneca que você escolher. Ah! como foi bom!

Voltei das lembranças e ela escolheu, desta vez, o shopping para o passeio. Fomos à livraria e viajamos muito em capas de livros e orelhas. Ela escolheu três volumes dos quais necessitava para suas leituras estudantis e eu escolhi um, para meu deleite mesmo. Saímos de lá feito crianças, felizes com os presentes que nos demos.

Em seguida, demo-nos o prazer dos deuses e tomamos o melhor cappuccino gelado do mundo, naquele momento, claro! E uma torta salgada deliciosa. Esqueci-me do regime alimentar e, se me lembrei, fiz cara de pouco caso.

Os olhos de minha filha voltaram a brilhar como brilharam no dia da boneca por ela escolhida e meu coração aqueceu-se de amor.
O meu trabalho? Ah, sim, deixei-o para o dia seguinte. Para ele, toda hora é hora.

Dalva Carla Molina Mansano
30.11.2013
11:16

HOJE EU GOSTARIA DE SER A BONECA EMÍLIA


IMAGEM: GOOGLE

Qualquer um que me visse hoje, pela primeira vez, inevitavelmente seria levado a crer que isto em que me transformei não passa de uma boneca de pano, em um de seus raros momentos de sono.
Assim, bem assim, gostaria eu de estar agora, num profundo sono e que, repentinamente, eu acordasse, para que o desavisado depressa percebesse quão grande fora seu erro.

Ah, como gostaria de ser Emília neste dia, neste momento!
Se assim o fosse, de meu inquieto, pequenino e ativo corpo, saltariam pensamentos extremamente inteligentes e eu voltaria a ser agitada e barulhenta.

De meu minúsculo ser, muito bem costurado com pedaços coloridos de pano, emanaria uma energia estrondosa, que logo contagiaria todos ao meu redor.
Meus cabelos, multicoloridos, cairiam sobre os ombros, de onde penderia um vestido cheio de bolinhas vermelhas. Minhas bochechas, constantemente ruborizadas, destacariam os meus olhos pequenos e escuros.

A boca, apesar de pequena, estaria sempre em movimento, enfeitada por um forte batom vermelho. O nariz, um pouco arrebitado, dar-me-ia um ar de arrogância e de impertinência. Só por hoje, apenas hoje, não me importaria com esse ar de presunção e altivez.

Em suma, minha face, depois de bem acordada, seria o espelho da personalidade marcante de Emília. Em mim estariam instaladas a aparência desafiadora e a arrogância da boneca e estas seriam supridas pela grande alegria e despreocupação com que ela sempre levou a vida, dando a todos uma aula de como se deve realmente viver.

Além de alegre e desafiadora, por ser muito emotiva e repleta de sentimentos nobres, certamente eu não perderia, em nada, para qualquer ser humano que tivesse um coração verdadeiro pulsando no peito.

Entretanto, todos que me olham só percebem a letargia e eu busco forças nos velhos trapos coloridos de Emília, confiando em que não se rompam neste meu esforço imensurável, para voltar a ser alegre e despretensiosa, feito Emília (bem acordada).



ESCREVI ESTE TEXTO EM RAZÃO DA DOR DO DESENCARNE DE MEU SOBRINHO, WALID MAHMOUD NAGE, FILHO DE MINHA IRMÃ E A QUEM EU MUITO AMO.
Dalva Molina Mansano

sábado, 16 de novembro de 2013

DEPREENDO DE CLARICE LISPECTOR


fOTO: GOOGLE

Sem qualquer pretensão esconsa, percebo que tenho algo de Lispector, principalmente no tocante a urgências.
Digo isso, porque a leio e vejo que, também, tudo em mim é intenso, não sei viver pela metade.

Pensando bem, tenho muito dela, falta-me apenas e infelizmente a magia fina e indesculpavelmente personalíssima e magistral de sua escrita. Sim, ela é mestra em escrever. Todavia, Igualmente a ela "vivo a vida no seu elemento puro" e, por respirar profundamente Deus, mergulho, junto com as palavras de cada texto que escreveu, no coração do mistério.

Com consciência absoluta de que nada tenho de sua genialidade, em termos de talento literário, capto suas intenções e as absorvo amplamente. Mesmo sem a escrita, já aqui mencionada, fina de Clarice, consigo sentir o perfume de suas palavras e me vem a impressão de que foram ditas e a mim enviadas.

Então, associo-me a ela em sentimentos e bebo cada gole do amargo e do doce, ambos ousados, elegantes e repletos da profunda dimensão de viver cotidianamente.
Por isso, empresto dela tudo que não sei dizer e que me emociona a alma e respiro aliviada.

Dalva Molina Mansano
Londrina, 16.11.2013
12:17

CULTO AO CORPO

Via de regra, o ser humano direciona seus atos no intuito de realizar-se existencialmente e de alcançar a felicidade plena.

Independente da interpretação conceitual que se faça da felicidade, ela é um objetivo único, que apresenta diversas maneiras de viabilizar sua conquista, de acordo com preceitos culturais, morais e éticos.

As características decorrentes da vida moderna têm exercido a uniformização instrumental desta busca: o culto à beleza física que proporcione diferenciação e ascensão social.

Numa sociedade fundamentada na alta velocidade de ação e reação, seja na esfera política e econômica, seja na social, o estabelecimento de relações interpessoais depende da capacidade atrativa que a imagem pessoal exerce nos outros indivíduos. Evidente que esta afirmativa não deve ser generalizada, pois há aqueles que não se encaixam nesta hipótese e seguem outros parâmetros para realização pessoal.

O desenvolvimento técnico-científico possibilitou a dispersão instantânea e mundial da imagem pessoal. Com um click, um empregador tem acesso à imagem de diversos concorrentes a uma vaga de emprego.
Uma pessoa interessada em relacionar-se com outras distribui suas fotos em páginas de livre acesso na Internet; uma atriz iniciante tem sua atuação veiculada do outro lado do mundo.
Neste contexto dinâmico, tanto na distribuição quanto na diversidade de imagens pessoais, a boa aparência assegura maior visibilidade social, seja para o candidato a emprego, seja para a pessoa que busca relacionar-se, seja para qualquer um que queira ascender social e pessoalmente.
Logo, a imagem exerce a função de captar a atenção necessária à apresentação das qualidades não perceptíveis à primeira vista.
Desta forma, é saudável o cultivo de uma boa imagem.
O problema surge no instante em que esse cuidado torna-se exclusivo e o indivíduo negligencia seu desenvolvimento interior, inclusive a própria saúde. Afinal, toda apresentação pressupõe a exposição de um conteúdo que sustente as relações recém-estabelecidas e a ascensão social por elas proporcionada.

Relações baseadas somente em aparências e sem os requisitos básicos necessários ao ser humano são perigosas a toda e qualquer pessoa, pois tornam seu status social instável e sensível a qualquer abalo em sua imagem. É o caso, por exemplo, da atriz que é esquecida em sua velhice, pois construíra sua carreira estribada apenas numa beleza física, finita no decorrer dos anos.

Observando essa realidade, a boa aparência configura um ótimo artifício momentâneo de elevação e apresentação social, mas que não se sustenta sem predicados interiores.

Buscar saúde é bom, buscar beleza é bom, tão bom quanto procurar o convívio, pois são fontes de bem-estar e proporcionam qualidade de vida. Porém, ficar doente para conseguir o corpo desejado e fisicamente desejável é irracional.

O estabelecimento de um equilíbrio entre qualidades interiores e exteriores asseguram a consolidação das realizações pessoais, viabilizando ao ser atingir seu maior intento existencial: a felicidade.


Dalva Molina Mansano

15.11.2013
20:35

domingo, 20 de outubro de 2013

MARIANA ÍRIS DOROTEIA


Imagem: Google

Mariana Íris Doroteia sempre se perguntou por que lhe teriam dado esse nome. Seria, talvez, mais um capricho arranjado a ela pelo destino e aceitou. Nunca interrogou ninguém sobre os motivos pelos quais assim a nomearam. Guardou para si a curiosidade.

Foi tocando a vida, imaginando que o próprio nome tivesse algo a ver com sua essência e com seu desejo de viver bem, de alegrar-se com pequenas coisas e sempre pensava que tudo fosse consequência da lei de causa e efeito.

Viveu a garota um tempo sem fim, porque criança não percebe os passar das horas e dos dias. Na verdade, criança sequer olha o relógio.

Os dias correram, para ela, entretanto, não corriam, iam vagarosamente levando, no mesmo passo, as duas, ela e a felicidade, que era companheira constante e amiga inseparável. Não percebia que, quando se é criança e feliz, tempo passa com vagar.

Nessa falta de pressa, cuidou de brincar, de olhar os caminhos das formigas, de relaxar à sombra das árvores, ouvir músicas e cantar. Amou pura e inocentemente.
Quando menos esperava, a alegria deu sinais de que partiria e Mariana Íris Doroteia, em sua essência, não compreendeu os motivos da racionalidade que não desejava a ela o mesmo que ela desejava para si e para os outros. Seria o mal um engano de conhecimento e o bem estaria longe dos princípios universais?

Percebeu que não tinha forças para segurar o tempo, tampouco para apagar o caminho de ir. Restavam-lhe apenas os rastros da chegada até ali e sabia que, certamente, o vento os apagaria, cobrindo-os com a poeira do tempo.

Não haveria mesmo como interferir. Entregou-se a mais esse capricho arranjado pelo destino.
Questionava-se, como sempre o fez, todavia não sabia a quem responsabilizar, pois as ações pareciam ser todas necessárias e sem lugar para culpabilidades.
Então, aprendeu a conviver com suas dúvidas e a ninguém responsabilizaria. Ponto.

Assim, mesmo sem se afastar de sua essência, trilhou caminhos diferentes, todavia nunca soube o porquê de Mariana Íris Doroteia.


DALVA MOLINA MANSANO

20.10.13
19:52

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

EDELWEISS


Imagem:Google: fotosearch

Flor de verão em clima temperado.
Escalemos a montanha na entrega
ao amor, em presente representado.
Dádiva advinda de sonhos que ao abismo
Tudo arriscamos, sem medo tentamos.
Vale o risco pela beleza em pétalas,
Oh, suave e doce flor do amor, aberta.

PELA VONTADE DIVINA


Imagem: Google


Olhos verdes,
Sorriso de anjo no colo do Pai.
Raio de luz do mais lindo dia,
Nada a diminui
Perante a humanidade.
Perfeita e completa
Pela vontade Divina.


Dalva Molina Mansano

16.10.13
16:03

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

MANSO COLIBRI


Foto : Suzete Torres - Google

MANSO COLIBRI

O trinar de tua poesia eu canto a ti,
fina e delicada, manso colibri.
De teu canto suave teço a canção,
enquanto visitas aqui e ali, então
as alegrias distribuídas em flores.
Beijas o perfume que te dão, amores


Dalva Molina Mansano
04.10.13
10:34


Foto de Suzete Torres
Google

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

AMORAS MADURAS


Estou pensando num fato que me ocorreu hoje, pela manhã, e que realizou um sonho que tenho, desde menina.
Deixei de lado as roupas no varal, sem sequer voltar a pensar nelas. Novo dia, vida nova. Eu tinha vistoria imobiliária a fazer. À noite sou professora, durante o dia, vistoriadora.
Meu marido e eu juntamos os apetrechos necessários (e a vontade), após a chuva da madrugada, e lá fomos nós no cumprimento do dever.
O imóvel era uma casa antiga, desocupada há bastante tempo e sem sinais de passos humanos naquele quintal, para minha inteira realização.
Explico: No fundo do quintal, a surpresa, algo que eu procurava havia muito tempo. UM PÉ DE AMORAS SILVESTRES, carregadinho delas maduras, negrinhas como a asa da graúna, diria Alencar. Ah, como sonhara com isto! Tantos pés encontrei depois da infância, mas quando eu chegava, era tarde, já. Só me sobravam aquelas rosadinhas e azedas.
Desta vez, senti-me um urso europeu, lambuzando-me daquela cor tão linda de amoras maduras, doces feito mel e saborosas, como deliciosos eram meus dias de infância em minha gostosa terra natal. Lá fiquei bons minutos, entre pássaros, folhas verdinhas, amoras doces e limpas e a infância que voltou mágica e magistralmente.
Tenham todos um bom dia, com sabor de amoras maduras.

Dalva Molina Mansano

14:55
02.10.13

domingo, 29 de setembro de 2013

ESCORREM


Imagem: Cristalbueno



brotou
silêncio
fechou-se
sorriso
doeu-me
o adeus
vazios
espaços
na sala
no quarto
cozinha
as dores
escorrem


Dalva Molina Mansano

terça-feira, 10 de setembro de 2013

DEUS, O IPÊ E MINHA MÃE


Google: foto de José Eduardo Contreiras


DEUS, O IPÊ E MINHA MÃE

O ipê floriu logo ali,
em frente à minha janela.
O mais bonito bordado
Deus confeccionou pra mim.
Assim eram os presentes
das boas mãos de minha mãe:
Enfeitavam nossa vida.
Eu ,feliz, acreditava
que eram só para os meus olhos,
Emoções, coisas de filha!



Dalva Molina Mansano

10.09.13
10:25

sábado, 31 de agosto de 2013

TRINTA MINUTINHOS QUE NÃO SE ACABAM

Foto:
By Crisbalbueno




O pensamento segue pelos caminhos que traçamos.
Então, quero flores, as mais lindas
que me enfeitem e aliviem os olhos dos meus.
Quero alamedas floridas e perfumadas
que durem muitos mais que trinta minutinhos.


Dalva Molina Mansano

"TRAGÉDIA DA FRAQUEZA HUMANA"

Lendo e interpretando textos nos mais variados canais de comunicação, vê-se a mudança de paradigmas que se operou nos últimos anos. Algumas dessas mudanças para pior, outras para melhor. É de parar para pensar na enorme diferença de postura das pessoas em relação às coisas do mundo atual.

Há um provérbio africano muito interessante que diz o seguinte: “quando a boca tropeça, é pior que o pé”. Interpretar esse provérbio é trabalho para alguns minutos de reflexão, pois se um tropeço do pé pode ocasionar lesões e contusões sérias, que demandem longo tempo de tratamento para cura, como poderia ser pior um tropeço cometido pela boca?
Esta indagação leva a muitas análises e ponderações de fatos já ocorridos na história universal e também no cotidiano, as quais talvez elucidem a assertiva africana. Primeiramente, a história da África e seus diversos povos já seria um motivo para entendimento de que, quanto menos se falasse, menores seriam as consequências sofridas pela população. Em outras palavras, o silêncio traria menos aflições.

A democracia ateniense permitiu a Sócrates que se defendesse, diante do tribunal popular, da acusação de ter corrompido jovens com suas palavras. Ele dedicava-se ao que considerava ser uma missão que lhe foi confiada pelo deus Delfos e que o tornara “um vagabundo loquaz”: dialogar com as pessoas, de forma a que elas justificassem seus conhecimentos, habilidades, virtudes. Sócrates alegava que “apenas sabia que nada sabia”. Disse que se suas palavras corromperam a juventude, tanto pior, mas que mentia quem afirmasse que ele dizia outra coisa. Até o último momento, sua fala foi serena e mostrava ter a consciência tranquila. E foi condenado. Teria tropeçado sua boca?

Outras implicações ocorrem pelos tropeços da boca e estas vão muito além da necessidade de curativos que funcionam como paliativos. A vida só vale a pena se for movida pelo amor em todas as suas formas e extensões e pelo respeito pelo outro que tem capacidade inata e ou de trabalho intelectual. O que sai da boca ou deixa de sair dela causa estranheza, muitas vezes e leva, inclusive, ao fastidioso tédio.

Inúmeras ocasiões há em que os homens deixam de verbalizar por medo de se depararem com uma verdade superior que os possa suplantar e envergonhar. Melhor que se calem, para que não sejam motivos de indignação, de opróbrio, de ignomínia, desonra, infâmia, repulsa e afronta ao ser humano. Fechada a boca, para que não tropece, não se corre o risco de testar se a pessoa ofendida vai engolir a injúria ou devolvê-la na medida adequada.
Por isso, viver é correr riscos, por eles e neles, viver é enfrentar desafios causados pelo desrespeito e pelo desamor ao próximo. No enfrentamento desses riscos, há que cuidar para que a boca não tropece e adotar o desprendimento necessário que corresponda aos ensinamentos cristãos, a fim de que se negue a si mesmo e se tome a sua cruz, conforme bíblicas palavras.

A cultura e a cidadania caminham juntas e uma depende da outra, para que se viva plenamente na sociedade. Conforme são as ideias, sem fronteiras, a cultura também não as tem e está em processo evolutivo permanente. Para a compreensão dos valores éticos e morais, é importante que se tenha a percepção de que eles guiam nossas emoções e o juízo que fazemos de nosso semelhante.

Disso depende a existência ou não da cidadania, a qual está fortemente ligada à noção de direitos e deveres. Aquele que segue esses preceitos sabe perfeitamente a diferença existente entre tropeçar com a boca ou com o pé. François Mauriac foi perfeito quando disse que todas as criaturas sabem o que é o mal e que poderiam evitar cometê-lo. A natureza do homem é abençoada, quando não é corrupta.

A literatura é tão antiga quanto a palavra e ela é fruto da necessidade dos homens. O desrespeito e fatos obscuros foram definidos por William Faulkner como uma grande tragédia da fraqueza humana. Segundo ele, o escritor tem obrigação de celebrar a comprovada grandeza e capacidade, trazendo à tona os sonhos obscuros e perigosos, com o propósito de aperfeiçoá-los.

Assim sendo, na boca está o maior perigo, entretanto, podemos parafrasear São João Apóstolo: No fim é o Verbo, e o Verbo é o homem, e o Verbo está com os Homens. As ideias devem seguir os mesmos moldes dos espíritos, os quais devem estar mais aperfeiçoados em cada oportunidade que lhes é dada.

____________________________________________________________


ESTA CRÔNICA FOI ESCRITA COM O INTUITO DE EXPRESSAR MINHA INDIGNAÇÃO FRENTE A FATOS ABJETOS, PELOS QUAIS UMA PESSOA AMIGA VIU-SE AGREDIDA EM SUA INTEGRIDADE PROFISSIONAL. RESERVO-ME O DIREITO DE NÃO CITAR O NOME DESSA PESSOA, PELO RESPEITO QUE DEVO A ELA.


Dalva Molina Mansano

Londrina, 31.08.2013
02:05

segunda-feira, 8 de julho de 2013

NOSSAS VARANDAS

Manhã com cheiro de lar
E aconchego de domingo.
Notas musicais dançando,
Forte aroma de café
Abraçados, rolam no ar.
Causos aos risos mesclados,
Passado em grata poesia.
Lá a chuva embalando sonhos
Em cantigas de além-mar.
O suave ninho das asas,
Pousadas em reencontros,
Trocam mais olhares blues.
Riscos de raios, do céu caem
E se espalham entre nós,
No chão de nossas varandas.




Dalva Molina Mansano

sexta-feira, 14 de junho de 2013

AÇUCENAS



São lindas as açucenas!
Entrego a beleza delas a você
que está aqui comigo,
diariamente.

Dalva Molina Mansano
...
Foto: Cantinho Especial

sábado, 8 de junho de 2013


Imagem Google




QUERO

Hoje quero mudanças,
um fio d'água não basta.
Cachoeira espessa,
terra escorregadia
com exóticas flores.
As mesmas telas cansam,
o teto branco enjoa.
Busco telhas de vidro
translúcidas e claras,
que me tragam estrelas.

Dalva Molina Mansano
08/06/2013

sexta-feira, 7 de junho de 2013

CAFÉ DA MANHÃ



Ai, o coração bordado em espumas
no seu café e no meu.
Olhe-o, bem no fundo,
mesmo que se desvaneçam as bolhas,
pulsam juntas nossas vidas
e anelam-se a cada manhã
revigoradas no encontro
matinal de nossos olhos.


Dalva Molina Mansano

domingo, 2 de junho de 2013

O RIO E EU



Imagem: Cantinho do Sonho


Assim já vi um rio
e os sonhos numa canoa,
sol poente,
reflexos do passado em um dia.
Assim já o vi
e alcancei a outra margem,
sonhando
pisei em terras estranhas
onde plantei e colhi.

Dalva Molina Mansano
01/06/2013

sábado, 25 de maio de 2013

FLORES E LUAR



Imagem: Resin Fotograf


Sonhar
confundir
flores
com o luar

flores
com o luar
confundir
sonhar


Dalva Molina Mansano
25/05/2013

sábado, 27 de abril de 2013

CUIDE



Imagem: Resim Photograf


Cuide para não derramar o doce sabor da vida.
Caso o entorne, trate de recolhê-lo
ou terá que provar o fel das consequências.

Dalva Molina Mansano

quarta-feira, 24 de abril de 2013

CAFÉ COM POESIA




Imagem : Beijo No Coração


Fruta cor
Flor entre ramos
Forte cor que implantamos
Frestas pelas grades vazadas
Frias e nuas
Flechas arremessadas
Frinchas minhas e suas
Fulgores em copas desenhadas
Fulgindo entre galhas amarfanhadas
Frágil
Frasco
Fragmentado.

Dalva Molina Mansano

TULIPAS E OUTRAS COISAS






Elas, as tulipas, são lindas
como lindos são os olhos do menino que reencontra a mãe,
perdida em multidões infindas.
Também são belas
as flores simples
depositadas nas janelas,
aquelas
encontradas
nas passagens das vielas
roubadas
e presenteadas
aquarelas
por mãos abençoadas,
amadas.

Dalva Molina Mansano

21 de abril de 2013

domingo, 21 de abril de 2013

FILHA










Quem te fez, menina arteira
Não sabia
Que terias o dom de ensinar
Adultos a brincar.



Dalva Molina Mansano

sábado, 13 de abril de 2013

INUSITADAS FLORES



Imagem: Google: "De maravilha em maravilha,
a existência manifesta-se."

< Lao Tsé__by Gi. >





Na dureza do caule, a poesia
é instante em que se abrandam as grades
do térreo cárcere obstinado e resistente.

Surgem inusitadas flores
em troncos impensáveis, telas para a alma
e para os olhos, em mistério incalculável.

Retrato fiel da vida esparramada
entre pedras e juncos improdutivos,
de repente, a flor nos surpreende.

Dalva Molina Mansano

quinta-feira, 11 de abril de 2013

SINFONIA






Imagem: Google

Tenho um intenso desejo
De ouvir música de piano
Insaciável música
Que me ocupe a cabeça
E a vida humanize
Numa eterna sinfonia
De psicologia e de Deus

Dalva Molina Mansano

domingo, 24 de março de 2013

NÃO SUPORTANDO TANTA AUSÊNCIA




iMAGEM: GOOGLE

O andar monótono da pequena cidade mostrava sempre as mesmas histórias.
Homens, com mãos grossas e unhas encardidas, no carteado do boteco, esmurravam as mesas e gritavam enlouquecidos, vez por outra, como se defendessem a causa do diabo. De trucada em trucada, armavam os únicos alvoroços daquelas tardes domingueiras.

No largo da igreja, em terra solta, meninos corriam atrás da bola de meias, respiravam poeira e aspiravam ao posto de Pelé um dia, talvez... Quem poderia contradizer sonhos?

As mulheres, já desembaraçadas dos trabalhos domésticos e com os cabelos molhados, cheirando a lavanda, ousavam assomar às janelas, para espiadelas no vaivém vagaroso da rua principal.
As moças enamoradas chegavam ansiosas ao portão social da casa, à espera do pretendente, que chegava metido na fatiota, pontual, na hora exata marcada, sem tirar nem pôr. Os cabelos, endurecidos pela brilhantina, exalavam o perfume que lembrava o paraíso àquelas jovens apaixonadas.

As garotas, nem meninas nem mulheres, em seus vestidos franzidos com florezinhas na saia, cintos do mesmo tecido, amarrados em laços para trás, exibiam-se nas calçadas, andando aos grupos, braços dados umas com as outras, em gracioso desfile dominical.

Assim andava a vida na pacata cidadezinha, embalada pelas músicas de Poly e seu conjunto chorando lamentos em notas musicais, que se espalhavam no vento, saídas de um velho e insistente alto-falante. De cima de um pau de eucalipto, a música pegava o rumo do coração de Rosinha. Adentrava-lhe a alma e fazia estrago. Enquanto as colegas passeavam e se mostravam, Rosinha procurava entender que bicho era aquele que a música mais linda do mundo enfiava em seu corpo. Então, sentia uma saudade que não sabia de quem era. Perdia-se entre sons e devaneios.

Até que chegou o circo mais bonito entre todos que já havia visto. As luzes, no alto do mastro principal, amarravam lá os seus olhos. Na entrada da frente, um letreiro enfeitado com luminárias coloridas e néon anunciando grandes atrações. Homens e mulheres chegavam e faziam um burburinho aglomerado. Rosinha embatucava diante dos atrativos, misturando em sua mente os perfumes das brilhantinas e lavandas, com o aroma de pipocas e cocadas. Tudo ali era inebriante e a tirava daquele chão. Aonde iriam parar seus sonhos? Teria coragem de jogar-se do trapézio arriscando haver ou não a cama elástica? Aceitaria o convite definitivo para os malabares da vida?

Eis que no alto–falante do circo soou a canção. A mesma que sempre lhe falou de saudades do desconhecido. Poly a chamava e, não mais suportando tanta ausência, entre aromas e devaneios, arriscando o salto, obteve o ingresso definitivo.

Rosinha virou assunto de cada portão e boteco do lugar. As mocinhas cochichavam desconfianças e, dentre os meninos que jogavam a bola de meias, um interrompeu o jogo e chorou ao ouvir Poly no alto-falante. Não sabia de onde lhe vinha tamanha tristeza.


Dalva Molina Mansano
Março de 2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

COISAS DA VIDA



Roda o moinho
bate a mó
mói o caminho
sobra pó.





Dalva Molina Mansano
13 de março de 2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

FEITO O ALECRIM QUE PERFUMA OS CAMPOS





Foto: google



Eu gosto da boa erva,
esta em que você se transformou
e espalha felicidade verdadeira.
Dizer que gosto é pouco,
então, digo que amo.
O rosto da boa erva é lindo,
ela brinca, faz micagens e me traz alegrias.
Recebe-me na janela
e acaba com o meu cansaço, espanta as olheiras.
Espalha a beleza aos que dela fazem uso
e sorri como um anjo bom.
Um sorriso espalhado,
que é pra mim e pra todos nós.
Suave e bom para o meu coração,
feito o alecrim que perfuma os campos.

Dalva Molina Mansano
(para o meu filho)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

LIBERDADE DESAFORADA

Foto google



Elas brincam perambulando, entre ramos de acácias.
Espantam aquele incômodo de terem asas
e não quererem voar, às vezes...
E tão repentinamente rabiscam no ar um trajeto,
o desaforo da liberdade.


Dalva Molina Mansano
Fev. 2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

ABOTOADO





ABOTOADO
Ah, esse menino da língua pregada
que não consegue dizer o recado
Ah, esse verso em poesia (de) mente aluada
Guarde sua intenção no poema abotoado


Dalva Molina Mansano

FLOR MODIFICADA


Começa a semana, dormem os foliões
esquecidos momentaneamente do carnaval.
A saia, que era branca, amarelou
cansada de brilhar entre passos e serpentinas.

Escorre, por ela, o final da festa
e ali no canto ela ainda resiste
como a flor modificada,
de sorriso amarelo.


Dalva Molina Mansano
Segunda-feira de carnaval
11022013
Foto:

•♠• Berrin •♠•

O BEIJA-FLOR




Ele preparou o voo,
abriu a roda
feito o mestre-sala
da poesia,
à natureza.

Elegantemente,
fez reverência
a ela,
porta-estandarte,
em festa.



Dalva Molina Mansano
segunda-feira de carnaval
11/fev. 2013



Foto
•♠• Berrin •♠•

domingo, 10 de fevereiro de 2013

EU SOU AQUELA...


Foto do Google:
Andorinha-voando
fotosbonitas.com


Eu sou aquela que voa e se esquece do manche em pleno voo.
Testo, também, a minha flutualidade em rios profundos, que suponho navegáveis.

Desta forma, testando e me atirando no vácuo,
busco em mim o que comprove a lenda de Arquimedes em Siracusa e descubro quanto me resta ainda de essência e quanto me foi raptado. Heureka!

Sou fruto da liberdade que me dou e com ela sobrevoo planícies,
vales e rochedos. Sou liberta igual o pássaro, que canta de galho em galho e amiga da borboleta que viaja entre as flores.

Bebo da mais límpida e clara água do rio, a escorregar preguiçosamente, bem na fonte onde ninguém ainda pôs os pés.
Canto como canta o rouxinol, no momento em que quero e a mim dou esse direito.

Assim sou, porque dos anos foi isto que recebi e com eles vou aprendendo, a cada dia, a lição de ser livre com a felicidade, no instante em que me apraz a liberdade.

Perco-me de mim em pleno voo, pois a poesia da vida me conduz,
porém sei voltar à plataforma de embarque e pisar no chão, maciamente
e voltar refeita do dia-a-dia, assim como voltam as andorinhas.

Dalva Molina Mansano
10/02/2013
15:25

***********************************************
TEXTO INSPIRADO NA CONVERSA QUE TIVE COM MINHA CUNHADA, MARIA ELENA, A QUEM O DEDICO POR OCASIÃO DE SEU ANIVERSÁRIO.




sábado, 9 de fevereiro de 2013

ASSIM



ASSIM
Tão bom é passear no parque,
ver as plantas orvalhadas.
Melhor ainda é atravessar a ponte,
felizes e de mãos dadas.

Dalva Molina Mansano
fFVEREIRO DE 2013



fOTO DO GOOGLE

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

MIL CORES



fOTO: GOOGLE



MIL CORES

Ziguezagueando a borboleta
Deixa o rastro invisível
Entre as flores

Misturando-se tão perfeita
Mescla o tom indizível
De mil cores

Dalva Molina Mansano

A LA MANCHA



Foto Google


O poeta disse
o mundo é um moinho,
avisou-a para que não triturasse sonhos.
Inutilmente, Cartola, inutilmente.
Ela reduziu sonhos a pó,
Não o atendeu
deixe que gire o mundo
E eu procurarei os moinhos da Holanda
Com a energia de Dom Quijote


Amsterdã guarda meus sonhos
movidos pelo vento.
Eles giram nos moinhos,
Produzem-me energia,


Meus sonhos giram
movidos pelo vento,
dão-me energia.
Guardo-os como Amsterdã
o faz com seus moinhos,
Prossigo em montaria.
A La Mancha, como Don Quijote
A enfrentar aquellos
de los brazos largos,
Fantasiosos gigantes.
Como em Criptana,
Sou moinho
vigiando o horizonte.
“Eles podem romper-me as armas,
Mas não meu coração”.
Inutilmente, poeta, inutilmente
Cartola, disseste em vão.
O mundo é um moinho,
Avisou-a
que não triturasse sonhos
no caminho.
Foram eles reduzidos a pó
Como em La mancha
entre pedras do moinho, a mó
triturando sementes
e desejos del Quijote de Cervantes.
E eu, que acredito no que penso,
deixo que gire o mundo,
a realidade eu dispenso
e procuro, bem fundo,
em minh’alma, atrás da platibanda
a energia pura e eólica
dos moinhos de Holanda.


Dalva Molina Mansano

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

CADEIRA AZUL




Foto colhida do Google




Voz que passa no fiapo do tempo
E surda cai no branco do papel,
rumina sons incompreensíveis.
O vazio perdido no canto,
nesta tarde sobre a cadeira azul
em que se balançam vultos
silentes no vai e vem.
Vestem-se de branco,
ensimesmados em pensamentos
que não são de paz.
Engulo seco diante do aviso
de cuidado com as falhas.
Tudo silencia
nesta falta de poesia.
Sangra em mim a lembrança
e escrevo placidamente
sobre o macio dos olhos seus.
Encosto a porta,
entrego tudo a Deus.



Dalva Molina Mansano


Nada de especial acontece.
Impossível criar grandes coisas de uma hora para a outra. É preciso tempo. Exatamente por isso, zelo com muito cuidado deste momento e entrego-me inteiramente a suas particularidades. Deixo de lado as evasivas e não dificulto coisas para mim mesma. Procuro habitar o instante em que vivo integralmente, participo, empenho-me. É isto, de acordo com as ideias de Epicteto.

Dalva Molina Mansano

Janeiro de 2013

DE COMUM ACORDO



Os passos são curtos
e os olhos enxergam longe,
ao longe, lugar de ninguém e de mim.
Devo estar lá, como estou aqui,
dupla presença.
Caminhei, muito em areias soltas e pedras
escorregadias, às vezes, dando-me lições.
Hoje, sento-me à beira da estrada
e tiro a poeira dos pés, releio o destino,
linhas traçadas por Deus e por mim.
Somos cúmplices e, de comum acordo,
trilhamos, eu com meus pensamentos,
Ele ajudando-me nas encruzilhadas.
Minhas escolhas não são minhas apenas,
são Nossas.
Assim, seguimos


Dalva Molina Mansano

PERGUNTAS



Tenho gostado das perguntas que me fazem.
Elas me levam a refletir sobre mim mesma e,
consequentemente, a dedicar-me um tempo.
Sei que mereço esta atenção, que pouco me dou.
Claro, são perguntas e jamais deixo de responder,
quando sou interrogada.
Posso não corresponder à intenção das questões,
entretanto, tento e, se não as satisfaço,
busco melhorar a performance,
mesmo que seja só para mim, posteriormente.
Lanço mão, agora, das perguntas de Pablo Neruda,
para que, quem sabe, o alguém me responda:

"Não sentes também o perigo
na gargalhada do mar?

Não vês na seda sangrenta
da papoula uma ameaça?

Não vês que floresce a macieira
para morrer na maçã?

Não choras rodeado de riso,
com as garrafas do olvido?"

(In Pablo Neruda - Livro das perguntas - XXXIX)


Dalva Molina Mansano
Janeiro de 2013

AMOR E SINFONIA






Cantar me faz bem.
Ontem cantei para minha filha.
Ela e o violão me acompanhavam nessa trilha.
Um sofria sob meus dedos em corrente,
outra aplaudia entusiasticamente.
Fiz um concerto para ela,
plateia exclusiva que por mim zela
e tivemos mais um momento de simples encontro com a paz,
entre notas musicais e alegria.
Comunhão entre árvore e fruto,
amor e sinfonia.
Eis a vida,
entre amores traduzida.



Dalva Molina Mansano
janeiro 2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

RUBRO DAS ÁGUAS





Eu vi tanto do meu sangue espalhado
Num país em que nossas línguas se misturam.
No brejo das almas eu vi desta carne,
E repisei os passos que se foram.
Dos abraços recebidos houve um
Que era mais meu que os outros envolvidos.
Deste recebi a mensagem que guardei
De que ali estava o vermelho em cada gota.
Misturamos as línguas em mudas lágrimas,
Juntos escorremos no rubro das águas.




Dalva Molina Mansano

REPARE EM TORNO





Repare em torno,
veja tais coisas
tão desconexas,
vãs e complexas.

Repare em torno
A nossa dança
Feroz, de lobos
Sós e famintos,
Acres instintos.

Repare em torno
Grandiloquências,
intemperanças
e redemoinhos,
perdidos ninhos.

Repare em torno
Água corrente
maldosos moinhos
mó incontida,
rebatida.

Repare em torno
Independência,
Insanidade
Sujos poemas,
Ocos sistemas.

Repare em torno
fuja do lobo,
e do uivo contrito,
esqueça o apito.

Repare em torno
Nada é importante
Se mentiroso
e não prazeroso.


Dalva Molina Mansano

NOSSA ALIANÇA





Quero dizer-te dos beijos
Que depositei em tuas mãos,
Coloca-os onde a ti derem prazer
E sente-os profundamente, do meu fardo aliviado.

Espalmadas em meu rosto
E tão quentes de meus beijos
São tuas mãos a certeza de que existo
E que elas abstraem de mim o teu concreto.

Há nelas o elo de nossa aliança
Unindo o inelutável de nossos destinos,
Em que aponho orações de mil amores
No evidente apogeu de ontem e para sempre.



Dalva Molina Mansano

DIAGRAMA




Tenho a face calma
E um diagrama desenhado
Em papel de seda
Com implicações sutis
Do outro lado do rio
A voz grave canta uma canção
Que me eleva em desvario
E me põe em contato com Deus




Dalva Molina Mansano

O PESO DA VIDA




Naquela bagagem eu vi o peso da vida,
Pendia do braço como pedras retiradas
Do caminho, em velhos compromissos diários.

Sérios, são homens no laço de suas gravatas,
Carregando a volta já na ida calculada,
Atrás dos óculos e olhando para dentro.

Quanto carregarão além da pesada mala,
Haverá fardo a mais na sombra da memória
Ou o vazio guardado nessa falta de tempo.

Descubro que nada sei da humanidade,
Olhando o vai-e-vem frenético nas calçadas
E sinto a inevitável curiosidade.



Dalva Molina Mansano

SEM CABIMENTO






Na torta passarela, ante o claro vidro
Do meu olhar aturdido, a calçada
Orlada de quietas flores na manhã.

Entre elas, passa a face estagnada
Estátua caminhante só e malsã
Frio, morto e disforme semblante.

Não há bulha, não há movimento
Tudo é estático, sem cabimento.




Dalva Molina Mansano

ÉTICA

Esqueço-me do meu umbigo
E ponho-me com os olhos pregados no espaço,
Tenho uma conversa comigo
Em conjecturas, perguntas faço.

Quero, profundamente, quero
Saber se ética é algo que aprendemos
Ou se com ela nascemos,
Se agir eticamente também
Significa em princípio
Agir livremente
Em conformidade com o bem.

Responda-me Thomas Hobbes
Mostre-me em Leviatã
Se pela natureza da liberdade
Podemos matar o outro
Em nome do talismã
Apelidado de igualdade.

Cometer um crime tem dolo
Ou apenas culpa tratável,
Busque a máquina jurídica
Ajuda psicológica
E mostre-me a avaliação fatídica
Do ser ou não responsável,
De acordo com sua ótica.

Apelo à língua que designe,
Já que só ela consegue,
A força do ser e do estar,
Para que eu não peque nem negue
De Sartre dita a verdade
No imediato pós-guerra,
De que do homem a liberdade,
Igual duelo com espada,
É inexorável condenação na terra
E que, por ser livre, o homem é nada.

Sendo todos iguais, segundo Hobbes,
Abrimos mão da igualdade,
Se sairmos do estado de natureza.
O que é bem, o que é bom
Talvez as resposta esteja
Em sermos éticos de antemão.





Dalva Molina Mansano

SOBRE PROFESSORES, ALUNOS E INDISCIPLINA

ESTE PRETENSO ARTIGO OBJETIVA DESPERTAR A ATENÇÃO PARA O PROBLEMA DA INDISCIPLINA NAS ESCOLAS. É UMA FORMA DE HOMENAGEAR OS PROFESSORES
.


O princípio básico que deve reger o trabalho de qualquer cidadão profissional deve sempre ser pautado em seriedade, respeito e honestidade no desempenho de suas funções.
Preocupa sobremaneira o desperdício de horas, quando este envolve jovens e adolescentes em período escolar, porque o tempo é demasiadamente importante na vida e perdê-lo implica em desperdiçar oportunidades de crescer. Ocupar carteiras escolares sendo meros espectadores que nada edificam, significa atrasar-se em conhecimentos e situar-se entre aqueles que pouco podem fazer por si mesmos.

Recentemente, o Brasil apresentou os resultados obtidos pelos estudantes brasileiros ao serem avaliados e pudemos observar que os maiores índices de aproveitamento foram colhidos por escolas que valorizam a manutenção disciplinar. É de fácil compreensão esse melhor resultado obtido pelas escolas que priorizam a disciplina comportamental, já que esta oportuniza a reflexão e a organização do raciocínio de forma ordenada. A escola não tem que ser rígida a ponto de assemelhar-se a um quartel militar, mas necessita de disciplina suficiente para ser levada a sério.

Segundo Jean-Paul Sartre, os indivíduos são livres e essa liberdade os condena a tomarem decisões na vida. Estas são responsabilidades deles mesmos e os obrigam a ter uma existência verdadeira. Sartre disse, ainda, que a vida deve ter um sentido e que este deve ser atribuído também à escola, para que os alunos a vejam como algo importante e aprendam a não negar suas responsabilidades sobre coisas que fazem e pelas atitudes que tomam.
Não se trata aqui de concordância do panoptismo de Foucault, pois com o sistema panóptico, a liberdade perde a essência. O que se pretende com estas considerações é que a educação brasileira ofereça instrumentos para conscientização do estudante do que significa ter o livre arbítrio e usá-lo em benefício de si próprio, ao invés de atuar contra si como seu algoz.

Michel Foucault dizia que “As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas.” Ele pregava que a educação detém a possibilidade de modificar o corpo e a mente e que a escola “tem mecanismos que controlam os cidadãos e os mantêm na iminência da punição”. Para resolução dessa complexidade, o pensador criou o conceito de poder-conhecimento, dizendo que “não há relação de poder que não seja acompanhada da criação de saber e vice-versa”.
Partindo da premissa estabelecida por Foucault, Veiga-Neto afirmou que se pode agir contra o que não se quer e buscar novas maneiras de ser organizar o mundo.

Anton Makarenko pregava a concretização de um projeto educacional centrado na formação coletiva para a vida coletiva, sem o esquecimento, porém, dos princípios do autocontrole, da disciplina e do trabalho. Dizia que, ao invés da massificação e do utilitarismo, na escola deve ocorrer o aprimoramento individual e uma “Educação para a cultura”.

Trazendo as idéias desses pensadores da educação para a atualidade, seria de bom alvitre que nas escolas brasileiras o tempo gasto por alunos e professores em sala de aula tivesse o gosto e o resultado de algo que valeu a pena e que gerou os resultados
que se esperam quando horas são dedicadas entre muros escolares. Para isso, seria necessário que a orientação de Makarenko fosse acatada, quando disse que “é preciso mostrar ao aluno que o trabalho e a vida dele são parte do trabalho e da vida do país” e que “a tarefa da educação é torná-lo tão firme e seguro que, como um todo, ele já não possa ser desviado de sua rota”.

É imprescindível que o Poder Público tenha seriedade quando se propõe a pensar, falar e estruturar a Educação no país. Que delegue poderes para profundas transformações educacionais a pessoas realmente capacitadas para essa realização e comprometidas com o real sentido da Educação.

Já dizia Henry Adams que “o professor se liga à eternidade; ele nunca sabe onde cessa a sua influência”. Todavia, uma andorinha só na faz verão.
O primeiro passo para sérias mudanças na Educação brasileira será dado quando a sociedade passar a exigir do Ministério da Educação e do Poder Público a manutenção de educação de qualidade em todo o território brasileiro, principalmente oferecendo respeito aos professores sob todos os aspectos a que fazem jus.

Criar teorias simplistas para resultados mirabolantes, que partam de mentes de prodigiosos especialistas, confortavelmente instalados em ambientes com ar-condicionado, é algo que não combina com escolas onde faltam materiais básicos para o bom andamento das aulas. Tampouco combinam com a violência a que ficam expostos os professores que não encontram apoio das autoridades, sequer para manutenção da própria defesa física diante da indisciplina generalizada que impera nas escolas brasileiras. Que dizer, então, da obtenção de bons resultados?


Dalva Molina Mansano



http://educarparacrescer.abril.com.br/pensadores-da-educacao/
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/michel-foucault-307907.shtml
http://pt.shvoong.com/social-sciences/1632203-vigiar-punir-pan%C3%B3ptico-michel-foucault/
Consultas realizadas em 09.10.2011

"RETRATO EM BRANCO E PRETO"

Traz no corpo a vida morta, este homem
envelhecido e abatido pelo tempo
que com branco avental o cobriu,
caminha com o amigo e persistente cão,
unico exemplar fiel de respeito a ele.
Ser desnudo de atenções humanas
senta-se nos bancos das praças
e dá bom-dia em desdentado sorriso,
retrato em branco e preto do viver
desbotado que pretendia fosse colorido.






Dalva Molina Mansano











quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

PALAVRAS, ESSAS COISAS VIVÍSSIMAS




Bem ao lado de minha janela, preparei as sementeiras,
para cultivar os jardins ao meu redor.
Nelas deitei palavras e formei frases,
estas coisas vivíssimas
que se constituíram em meu destino sobre a terra.

Há em cada palavra um dispositivo emergente,
reflito sobre ela como se fora um sinal de advertência.
Tenho diante de mim os frutos de minha semeadura,
para onde quer que eu olhe, eis que ela está,
a palavra sonora, alteando-se e comandando.

Descanso os olhos sobre esses canteiros de verbos
e tenho cautela com eles, não os digo apenas por dizer.
Foi-me revelado que “no começo era o Verbo!”
“E o Verbo estava em Deus e Deus era o Verbo.”
Nisto está o saber e quem me dera eu pudesse hauri-lo.

Com todas as palavras é preciso ter cuidado,
por isso, certifico-me daquilo que nasce na terra que arei.
Os termos podem reservar-me alegrias ou pesares,
solidez ou naufrágios. Eles podem elevar-me ou aniquilar-me,
dar-me claridade ou sombras, conforme os use ou os aplique.

Especialmente, hoje abro a janela e verifico
se das sementeiras não brotaram setas envenenadas
em lugar de frutos, cujo néctar alimentaria almas.
Nisto reside o meu cuidado, pois o vento espalha as palavras
e as torna permissivas, fios condutores de desmedidas tolices.

Eu tento cultivar frases límpidas, cautas, verdadeiras e prudentes,
porque “no começo era o Verbo...” e elas devem ser um reflexo
do que vem do Alto como raio orientador.
Por mínimo que seja, basta para formar na terra,
por ação de retorno, um melhor destino para todos.


Dalva Molina Mansano
janeiro de 2013

MENTINDO VERDADES




MENTINDO VERDADES

A poesia me chamou,
acreditei no chamado.
Fiz reverências
e me perfumei.

Olhou-me,
feito criança que mente,
dizendo a verdade,
descaradamente.

Demos os braços,
de ganchinho,
ela e eu,
impunemente.

E saímos vida afora,
Ela mentindo,
Eu acreditando,
Fingidamente.

Dalv Molina Mansano
jan/ 2013

OLHOS ENAMORADOS




A poesia das coisas comove-me
e profundamente me afeta.
Alguém perguntará a respeito,
achando que elas são coisas apenas,
desprovidas de enlevo poético.

Responderei que delas eu capto
a expressão em seu momento íntimo,
este que me tira do estado
normal e me transforma em reflexo
do que vejo em tudo a minha volta.

Todos os seres têm sua poesia,
a sublime elevação do visto,
a mesma de um olhar em devaneios.
Olhos e coisas fogem ao neutro
estágio primitivo do ser.

Nada é apenas coisa ao meu olhar
que lhe enxerga a intimidade.
Tudo deixa de ser anônimo
porque em tudo está o que viram
meus olhos, da poesia enamorados.



Dalva MOlina Mansano
Janeiro, 2013