quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
PALAVRAS, ESSAS COISAS VIVÍSSIMAS
Bem ao lado de minha janela, preparei as sementeiras,
para cultivar os jardins ao meu redor.
Nelas deitei palavras e formei frases,
estas coisas vivíssimas
que se constituíram em meu destino sobre a terra.
Há em cada palavra um dispositivo emergente,
reflito sobre ela como se fora um sinal de advertência.
Tenho diante de mim os frutos de minha semeadura,
para onde quer que eu olhe, eis que ela está,
a palavra sonora, alteando-se e comandando.
Descanso os olhos sobre esses canteiros de verbos
e tenho cautela com eles, não os digo apenas por dizer.
Foi-me revelado que “no começo era o Verbo!”
“E o Verbo estava em Deus e Deus era o Verbo.”
Nisto está o saber e quem me dera eu pudesse hauri-lo.
Com todas as palavras é preciso ter cuidado,
por isso, certifico-me daquilo que nasce na terra que arei.
Os termos podem reservar-me alegrias ou pesares,
solidez ou naufrágios. Eles podem elevar-me ou aniquilar-me,
dar-me claridade ou sombras, conforme os use ou os aplique.
Especialmente, hoje abro a janela e verifico
se das sementeiras não brotaram setas envenenadas
em lugar de frutos, cujo néctar alimentaria almas.
Nisto reside o meu cuidado, pois o vento espalha as palavras
e as torna permissivas, fios condutores de desmedidas tolices.
Eu tento cultivar frases límpidas, cautas, verdadeiras e prudentes,
porque “no começo era o Verbo...” e elas devem ser um reflexo
do que vem do Alto como raio orientador.
Por mínimo que seja, basta para formar na terra,
por ação de retorno, um melhor destino para todos.
Dalva Molina Mansano
janeiro de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nice post! happy 2013 ! Maybe we follow each other?! Let me know ;) www.yuliekendra.com
ResponderExcluir