terça-feira, 15 de janeiro de 2013
MIL CORES
fOTO: GOOGLE
MIL CORES
Ziguezagueando a borboleta
Deixa o rastro invisível
Entre as flores
Misturando-se tão perfeita
Mescla o tom indizível
De mil cores
Dalva Molina Mansano
A LA MANCHA
Foto Google
O poeta disse
o mundo é um moinho,
avisou-a para que não triturasse sonhos.
Inutilmente, Cartola, inutilmente.
Ela reduziu sonhos a pó,
Não o atendeu
deixe que gire o mundo
E eu procurarei os moinhos da Holanda
Com a energia de Dom Quijote
Amsterdã guarda meus sonhos
movidos pelo vento.
Eles giram nos moinhos,
Produzem-me energia,
Meus sonhos giram
movidos pelo vento,
dão-me energia.
Guardo-os como Amsterdã
o faz com seus moinhos,
Prossigo em montaria.
A La Mancha, como Don Quijote
A enfrentar aquellos
de los brazos largos,
Fantasiosos gigantes.
Como em Criptana,
Sou moinho
vigiando o horizonte.
“Eles podem romper-me as armas,
Mas não meu coração”.
Inutilmente, poeta, inutilmente
Cartola, disseste em vão.
O mundo é um moinho,
Avisou-a
que não triturasse sonhos
no caminho.
Foram eles reduzidos a pó
Como em La mancha
entre pedras do moinho, a mó
triturando sementes
e desejos del Quijote de Cervantes.
E eu, que acredito no que penso,
deixo que gire o mundo,
a realidade eu dispenso
e procuro, bem fundo,
em minh’alma, atrás da platibanda
a energia pura e eólica
dos moinhos de Holanda.
Dalva Molina Mansano
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
CADEIRA AZUL
Foto colhida do Google
Voz que passa no fiapo do tempo
E surda cai no branco do papel,
rumina sons incompreensíveis.
O vazio perdido no canto,
nesta tarde sobre a cadeira azul
em que se balançam vultos
silentes no vai e vem.
Vestem-se de branco,
ensimesmados em pensamentos
que não são de paz.
Engulo seco diante do aviso
de cuidado com as falhas.
Tudo silencia
nesta falta de poesia.
Sangra em mim a lembrança
e escrevo placidamente
sobre o macio dos olhos seus.
Encosto a porta,
entrego tudo a Deus.
Dalva Molina Mansano
Nada de especial acontece.
Impossível criar grandes coisas de uma hora para a outra. É preciso tempo. Exatamente por isso, zelo com muito cuidado deste momento e entrego-me inteiramente a suas particularidades. Deixo de lado as evasivas e não dificulto coisas para mim mesma. Procuro habitar o instante em que vivo integralmente, participo, empenho-me. É isto, de acordo com as ideias de Epicteto.
Dalva Molina Mansano
Janeiro de 2013
DE COMUM ACORDO
Os passos são curtos
e os olhos enxergam longe,
ao longe, lugar de ninguém e de mim.
Devo estar lá, como estou aqui,
dupla presença.
Caminhei, muito em areias soltas e pedras
escorregadias, às vezes, dando-me lições.
Hoje, sento-me à beira da estrada
e tiro a poeira dos pés, releio o destino,
linhas traçadas por Deus e por mim.
Somos cúmplices e, de comum acordo,
trilhamos, eu com meus pensamentos,
Ele ajudando-me nas encruzilhadas.
Minhas escolhas não são minhas apenas,
são Nossas.
Assim, seguimos
Dalva Molina Mansano
PERGUNTAS
Tenho gostado das perguntas que me fazem.
Elas me levam a refletir sobre mim mesma e,
consequentemente, a dedicar-me um tempo.
Sei que mereço esta atenção, que pouco me dou.
Claro, são perguntas e jamais deixo de responder,
quando sou interrogada.
Posso não corresponder à intenção das questões,
entretanto, tento e, se não as satisfaço,
busco melhorar a performance,
mesmo que seja só para mim, posteriormente.
Lanço mão, agora, das perguntas de Pablo Neruda,
para que, quem sabe, o alguém me responda:
"Não sentes também o perigo
na gargalhada do mar?
Não vês na seda sangrenta
da papoula uma ameaça?
Não vês que floresce a macieira
para morrer na maçã?
Não choras rodeado de riso,
com as garrafas do olvido?"
(In Pablo Neruda - Livro das perguntas - XXXIX)
Dalva Molina Mansano
Janeiro de 2013
AMOR E SINFONIA
Cantar me faz bem.
Ontem cantei para minha filha.
Ela e o violão me acompanhavam nessa trilha.
Um sofria sob meus dedos em corrente,
outra aplaudia entusiasticamente.
Fiz um concerto para ela,
plateia exclusiva que por mim zela
e tivemos mais um momento de simples encontro com a paz,
entre notas musicais e alegria.
Comunhão entre árvore e fruto,
amor e sinfonia.
Eis a vida,
entre amores traduzida.
Dalva Molina Mansano
janeiro 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
RUBRO DAS ÁGUAS
Eu vi tanto do meu sangue espalhado
Num país em que nossas línguas se misturam.
No brejo das almas eu vi desta carne,
E repisei os passos que se foram.
Dos abraços recebidos houve um
Que era mais meu que os outros envolvidos.
Deste recebi a mensagem que guardei
De que ali estava o vermelho em cada gota.
Misturamos as línguas em mudas lágrimas,
Juntos escorremos no rubro das águas.
Dalva Molina Mansano
REPARE EM TORNO
Repare em torno,
veja tais coisas
tão desconexas,
vãs e complexas.
Repare em torno
A nossa dança
Feroz, de lobos
Sós e famintos,
Acres instintos.
Repare em torno
Grandiloquências,
intemperanças
e redemoinhos,
perdidos ninhos.
Repare em torno
Água corrente
maldosos moinhos
mó incontida,
rebatida.
Repare em torno
Independência,
Insanidade
Sujos poemas,
Ocos sistemas.
Repare em torno
fuja do lobo,
e do uivo contrito,
esqueça o apito.
Repare em torno
Nada é importante
Se mentiroso
e não prazeroso.
Dalva Molina Mansano
NOSSA ALIANÇA
Quero dizer-te dos beijos
Que depositei em tuas mãos,
Coloca-os onde a ti derem prazer
E sente-os profundamente, do meu fardo aliviado.
Espalmadas em meu rosto
E tão quentes de meus beijos
São tuas mãos a certeza de que existo
E que elas abstraem de mim o teu concreto.
Há nelas o elo de nossa aliança
Unindo o inelutável de nossos destinos,
Em que aponho orações de mil amores
No evidente apogeu de ontem e para sempre.
Dalva Molina Mansano
DIAGRAMA
Tenho a face calma
E um diagrama desenhado
Em papel de seda
Com implicações sutis
Do outro lado do rio
A voz grave canta uma canção
Que me eleva em desvario
E me põe em contato com Deus
Dalva Molina Mansano
O PESO DA VIDA
Naquela bagagem eu vi o peso da vida,
Pendia do braço como pedras retiradas
Do caminho, em velhos compromissos diários.
Sérios, são homens no laço de suas gravatas,
Carregando a volta já na ida calculada,
Atrás dos óculos e olhando para dentro.
Quanto carregarão além da pesada mala,
Haverá fardo a mais na sombra da memória
Ou o vazio guardado nessa falta de tempo.
Descubro que nada sei da humanidade,
Olhando o vai-e-vem frenético nas calçadas
E sinto a inevitável curiosidade.
Dalva Molina Mansano
SEM CABIMENTO
Na torta passarela, ante o claro vidro
Do meu olhar aturdido, a calçada
Orlada de quietas flores na manhã.
Entre elas, passa a face estagnada
Estátua caminhante só e malsã
Frio, morto e disforme semblante.
Não há bulha, não há movimento
Tudo é estático, sem cabimento.
Dalva Molina Mansano
ÉTICA
Esqueço-me do meu umbigo
E ponho-me com os olhos pregados no espaço,
Tenho uma conversa comigo
Em conjecturas, perguntas faço.
Quero, profundamente, quero
Saber se ética é algo que aprendemos
Ou se com ela nascemos,
Se agir eticamente também
Significa em princípio
Agir livremente
Em conformidade com o bem.
Responda-me Thomas Hobbes
Mostre-me em Leviatã
Se pela natureza da liberdade
Podemos matar o outro
Em nome do talismã
Apelidado de igualdade.
Cometer um crime tem dolo
Ou apenas culpa tratável,
Busque a máquina jurídica
Ajuda psicológica
E mostre-me a avaliação fatídica
Do ser ou não responsável,
De acordo com sua ótica.
Apelo à língua que designe,
Já que só ela consegue,
A força do ser e do estar,
Para que eu não peque nem negue
De Sartre dita a verdade
No imediato pós-guerra,
De que do homem a liberdade,
Igual duelo com espada,
É inexorável condenação na terra
E que, por ser livre, o homem é nada.
Sendo todos iguais, segundo Hobbes,
Abrimos mão da igualdade,
Se sairmos do estado de natureza.
O que é bem, o que é bom
Talvez as resposta esteja
Em sermos éticos de antemão.
Dalva Molina Mansano
E ponho-me com os olhos pregados no espaço,
Tenho uma conversa comigo
Em conjecturas, perguntas faço.
Quero, profundamente, quero
Saber se ética é algo que aprendemos
Ou se com ela nascemos,
Se agir eticamente também
Significa em princípio
Agir livremente
Em conformidade com o bem.
Responda-me Thomas Hobbes
Mostre-me em Leviatã
Se pela natureza da liberdade
Podemos matar o outro
Em nome do talismã
Apelidado de igualdade.
Cometer um crime tem dolo
Ou apenas culpa tratável,
Busque a máquina jurídica
Ajuda psicológica
E mostre-me a avaliação fatídica
Do ser ou não responsável,
De acordo com sua ótica.
Apelo à língua que designe,
Já que só ela consegue,
A força do ser e do estar,
Para que eu não peque nem negue
De Sartre dita a verdade
No imediato pós-guerra,
De que do homem a liberdade,
Igual duelo com espada,
É inexorável condenação na terra
E que, por ser livre, o homem é nada.
Sendo todos iguais, segundo Hobbes,
Abrimos mão da igualdade,
Se sairmos do estado de natureza.
O que é bem, o que é bom
Talvez as resposta esteja
Em sermos éticos de antemão.
Dalva Molina Mansano
SOBRE PROFESSORES, ALUNOS E INDISCIPLINA
ESTE PRETENSO ARTIGO OBJETIVA DESPERTAR A ATENÇÃO PARA O PROBLEMA DA INDISCIPLINA NAS ESCOLAS. É UMA FORMA DE HOMENAGEAR OS PROFESSORES
.
O princípio básico que deve reger o trabalho de qualquer cidadão profissional deve sempre ser pautado em seriedade, respeito e honestidade no desempenho de suas funções.
Preocupa sobremaneira o desperdício de horas, quando este envolve jovens e adolescentes em período escolar, porque o tempo é demasiadamente importante na vida e perdê-lo implica em desperdiçar oportunidades de crescer. Ocupar carteiras escolares sendo meros espectadores que nada edificam, significa atrasar-se em conhecimentos e situar-se entre aqueles que pouco podem fazer por si mesmos.
Recentemente, o Brasil apresentou os resultados obtidos pelos estudantes brasileiros ao serem avaliados e pudemos observar que os maiores índices de aproveitamento foram colhidos por escolas que valorizam a manutenção disciplinar. É de fácil compreensão esse melhor resultado obtido pelas escolas que priorizam a disciplina comportamental, já que esta oportuniza a reflexão e a organização do raciocínio de forma ordenada. A escola não tem que ser rígida a ponto de assemelhar-se a um quartel militar, mas necessita de disciplina suficiente para ser levada a sério.
Segundo Jean-Paul Sartre, os indivíduos são livres e essa liberdade os condena a tomarem decisões na vida. Estas são responsabilidades deles mesmos e os obrigam a ter uma existência verdadeira. Sartre disse, ainda, que a vida deve ter um sentido e que este deve ser atribuído também à escola, para que os alunos a vejam como algo importante e aprendam a não negar suas responsabilidades sobre coisas que fazem e pelas atitudes que tomam.
Não se trata aqui de concordância do panoptismo de Foucault, pois com o sistema panóptico, a liberdade perde a essência. O que se pretende com estas considerações é que a educação brasileira ofereça instrumentos para conscientização do estudante do que significa ter o livre arbítrio e usá-lo em benefício de si próprio, ao invés de atuar contra si como seu algoz.
Michel Foucault dizia que “As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas.” Ele pregava que a educação detém a possibilidade de modificar o corpo e a mente e que a escola “tem mecanismos que controlam os cidadãos e os mantêm na iminência da punição”. Para resolução dessa complexidade, o pensador criou o conceito de poder-conhecimento, dizendo que “não há relação de poder que não seja acompanhada da criação de saber e vice-versa”.
Partindo da premissa estabelecida por Foucault, Veiga-Neto afirmou que se pode agir contra o que não se quer e buscar novas maneiras de ser organizar o mundo.
Anton Makarenko pregava a concretização de um projeto educacional centrado na formação coletiva para a vida coletiva, sem o esquecimento, porém, dos princípios do autocontrole, da disciplina e do trabalho. Dizia que, ao invés da massificação e do utilitarismo, na escola deve ocorrer o aprimoramento individual e uma “Educação para a cultura”.
Trazendo as idéias desses pensadores da educação para a atualidade, seria de bom alvitre que nas escolas brasileiras o tempo gasto por alunos e professores em sala de aula tivesse o gosto e o resultado de algo que valeu a pena e que gerou os resultados
que se esperam quando horas são dedicadas entre muros escolares. Para isso, seria necessário que a orientação de Makarenko fosse acatada, quando disse que “é preciso mostrar ao aluno que o trabalho e a vida dele são parte do trabalho e da vida do país” e que “a tarefa da educação é torná-lo tão firme e seguro que, como um todo, ele já não possa ser desviado de sua rota”.
É imprescindível que o Poder Público tenha seriedade quando se propõe a pensar, falar e estruturar a Educação no país. Que delegue poderes para profundas transformações educacionais a pessoas realmente capacitadas para essa realização e comprometidas com o real sentido da Educação.
Já dizia Henry Adams que “o professor se liga à eternidade; ele nunca sabe onde cessa a sua influência”. Todavia, uma andorinha só na faz verão.
O primeiro passo para sérias mudanças na Educação brasileira será dado quando a sociedade passar a exigir do Ministério da Educação e do Poder Público a manutenção de educação de qualidade em todo o território brasileiro, principalmente oferecendo respeito aos professores sob todos os aspectos a que fazem jus.
Criar teorias simplistas para resultados mirabolantes, que partam de mentes de prodigiosos especialistas, confortavelmente instalados em ambientes com ar-condicionado, é algo que não combina com escolas onde faltam materiais básicos para o bom andamento das aulas. Tampouco combinam com a violência a que ficam expostos os professores que não encontram apoio das autoridades, sequer para manutenção da própria defesa física diante da indisciplina generalizada que impera nas escolas brasileiras. Que dizer, então, da obtenção de bons resultados?
Dalva Molina Mansano
http://educarparacrescer.abril.com.br/pensadores-da-educacao/
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/michel-foucault-307907.shtml
http://pt.shvoong.com/social-sciences/1632203-vigiar-punir-pan%C3%B3ptico-michel-foucault/
Consultas realizadas em 09.10.2011
.
O princípio básico que deve reger o trabalho de qualquer cidadão profissional deve sempre ser pautado em seriedade, respeito e honestidade no desempenho de suas funções.
Preocupa sobremaneira o desperdício de horas, quando este envolve jovens e adolescentes em período escolar, porque o tempo é demasiadamente importante na vida e perdê-lo implica em desperdiçar oportunidades de crescer. Ocupar carteiras escolares sendo meros espectadores que nada edificam, significa atrasar-se em conhecimentos e situar-se entre aqueles que pouco podem fazer por si mesmos.
Recentemente, o Brasil apresentou os resultados obtidos pelos estudantes brasileiros ao serem avaliados e pudemos observar que os maiores índices de aproveitamento foram colhidos por escolas que valorizam a manutenção disciplinar. É de fácil compreensão esse melhor resultado obtido pelas escolas que priorizam a disciplina comportamental, já que esta oportuniza a reflexão e a organização do raciocínio de forma ordenada. A escola não tem que ser rígida a ponto de assemelhar-se a um quartel militar, mas necessita de disciplina suficiente para ser levada a sério.
Segundo Jean-Paul Sartre, os indivíduos são livres e essa liberdade os condena a tomarem decisões na vida. Estas são responsabilidades deles mesmos e os obrigam a ter uma existência verdadeira. Sartre disse, ainda, que a vida deve ter um sentido e que este deve ser atribuído também à escola, para que os alunos a vejam como algo importante e aprendam a não negar suas responsabilidades sobre coisas que fazem e pelas atitudes que tomam.
Não se trata aqui de concordância do panoptismo de Foucault, pois com o sistema panóptico, a liberdade perde a essência. O que se pretende com estas considerações é que a educação brasileira ofereça instrumentos para conscientização do estudante do que significa ter o livre arbítrio e usá-lo em benefício de si próprio, ao invés de atuar contra si como seu algoz.
Michel Foucault dizia que “As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas.” Ele pregava que a educação detém a possibilidade de modificar o corpo e a mente e que a escola “tem mecanismos que controlam os cidadãos e os mantêm na iminência da punição”. Para resolução dessa complexidade, o pensador criou o conceito de poder-conhecimento, dizendo que “não há relação de poder que não seja acompanhada da criação de saber e vice-versa”.
Partindo da premissa estabelecida por Foucault, Veiga-Neto afirmou que se pode agir contra o que não se quer e buscar novas maneiras de ser organizar o mundo.
Anton Makarenko pregava a concretização de um projeto educacional centrado na formação coletiva para a vida coletiva, sem o esquecimento, porém, dos princípios do autocontrole, da disciplina e do trabalho. Dizia que, ao invés da massificação e do utilitarismo, na escola deve ocorrer o aprimoramento individual e uma “Educação para a cultura”.
Trazendo as idéias desses pensadores da educação para a atualidade, seria de bom alvitre que nas escolas brasileiras o tempo gasto por alunos e professores em sala de aula tivesse o gosto e o resultado de algo que valeu a pena e que gerou os resultados
que se esperam quando horas são dedicadas entre muros escolares. Para isso, seria necessário que a orientação de Makarenko fosse acatada, quando disse que “é preciso mostrar ao aluno que o trabalho e a vida dele são parte do trabalho e da vida do país” e que “a tarefa da educação é torná-lo tão firme e seguro que, como um todo, ele já não possa ser desviado de sua rota”.
É imprescindível que o Poder Público tenha seriedade quando se propõe a pensar, falar e estruturar a Educação no país. Que delegue poderes para profundas transformações educacionais a pessoas realmente capacitadas para essa realização e comprometidas com o real sentido da Educação.
Já dizia Henry Adams que “o professor se liga à eternidade; ele nunca sabe onde cessa a sua influência”. Todavia, uma andorinha só na faz verão.
O primeiro passo para sérias mudanças na Educação brasileira será dado quando a sociedade passar a exigir do Ministério da Educação e do Poder Público a manutenção de educação de qualidade em todo o território brasileiro, principalmente oferecendo respeito aos professores sob todos os aspectos a que fazem jus.
Criar teorias simplistas para resultados mirabolantes, que partam de mentes de prodigiosos especialistas, confortavelmente instalados em ambientes com ar-condicionado, é algo que não combina com escolas onde faltam materiais básicos para o bom andamento das aulas. Tampouco combinam com a violência a que ficam expostos os professores que não encontram apoio das autoridades, sequer para manutenção da própria defesa física diante da indisciplina generalizada que impera nas escolas brasileiras. Que dizer, então, da obtenção de bons resultados?
Dalva Molina Mansano
http://educarparacrescer.abril.com.br/pensadores-da-educacao/
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/michel-foucault-307907.shtml
http://pt.shvoong.com/social-sciences/1632203-vigiar-punir-pan%C3%B3ptico-michel-foucault/
Consultas realizadas em 09.10.2011
"RETRATO EM BRANCO E PRETO"
Traz no corpo a vida morta, este homem
envelhecido e abatido pelo tempo
que com branco avental o cobriu,
caminha com o amigo e persistente cão,
unico exemplar fiel de respeito a ele.
Ser desnudo de atenções humanas
senta-se nos bancos das praças
e dá bom-dia em desdentado sorriso,
retrato em branco e preto do viver
desbotado que pretendia fosse colorido.
Dalva Molina Mansano
envelhecido e abatido pelo tempo
que com branco avental o cobriu,
caminha com o amigo e persistente cão,
unico exemplar fiel de respeito a ele.
Ser desnudo de atenções humanas
senta-se nos bancos das praças
e dá bom-dia em desdentado sorriso,
retrato em branco e preto do viver
desbotado que pretendia fosse colorido.
Dalva Molina Mansano
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
PALAVRAS, ESSAS COISAS VIVÍSSIMAS
Bem ao lado de minha janela, preparei as sementeiras,
para cultivar os jardins ao meu redor.
Nelas deitei palavras e formei frases,
estas coisas vivíssimas
que se constituíram em meu destino sobre a terra.
Há em cada palavra um dispositivo emergente,
reflito sobre ela como se fora um sinal de advertência.
Tenho diante de mim os frutos de minha semeadura,
para onde quer que eu olhe, eis que ela está,
a palavra sonora, alteando-se e comandando.
Descanso os olhos sobre esses canteiros de verbos
e tenho cautela com eles, não os digo apenas por dizer.
Foi-me revelado que “no começo era o Verbo!”
“E o Verbo estava em Deus e Deus era o Verbo.”
Nisto está o saber e quem me dera eu pudesse hauri-lo.
Com todas as palavras é preciso ter cuidado,
por isso, certifico-me daquilo que nasce na terra que arei.
Os termos podem reservar-me alegrias ou pesares,
solidez ou naufrágios. Eles podem elevar-me ou aniquilar-me,
dar-me claridade ou sombras, conforme os use ou os aplique.
Especialmente, hoje abro a janela e verifico
se das sementeiras não brotaram setas envenenadas
em lugar de frutos, cujo néctar alimentaria almas.
Nisto reside o meu cuidado, pois o vento espalha as palavras
e as torna permissivas, fios condutores de desmedidas tolices.
Eu tento cultivar frases límpidas, cautas, verdadeiras e prudentes,
porque “no começo era o Verbo...” e elas devem ser um reflexo
do que vem do Alto como raio orientador.
Por mínimo que seja, basta para formar na terra,
por ação de retorno, um melhor destino para todos.
Dalva Molina Mansano
janeiro de 2013
MENTINDO VERDADES
MENTINDO VERDADES
A poesia me chamou,
acreditei no chamado.
Fiz reverências
e me perfumei.
Olhou-me,
feito criança que mente,
dizendo a verdade,
descaradamente.
Demos os braços,
de ganchinho,
ela e eu,
impunemente.
E saímos vida afora,
Ela mentindo,
Eu acreditando,
Fingidamente.
Dalv Molina Mansano
jan/ 2013
OLHOS ENAMORADOS
A poesia das coisas comove-me
e profundamente me afeta.
Alguém perguntará a respeito,
achando que elas são coisas apenas,
desprovidas de enlevo poético.
Responderei que delas eu capto
a expressão em seu momento íntimo,
este que me tira do estado
normal e me transforma em reflexo
do que vejo em tudo a minha volta.
Todos os seres têm sua poesia,
a sublime elevação do visto,
a mesma de um olhar em devaneios.
Olhos e coisas fogem ao neutro
estágio primitivo do ser.
Nada é apenas coisa ao meu olhar
que lhe enxerga a intimidade.
Tudo deixa de ser anônimo
porque em tudo está o que viram
meus olhos, da poesia enamorados.
Dalva MOlina Mansano
Janeiro, 2013
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