Dalva Molina-Encantamento

Dalva Molina-Encantamento
QUINTAL DE CASA

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

SÉRIE COMENTÁRIOS - PENSAMENTO III



En la noche oscura vuela el malo, pero por la mañana vuelve el pajaro com sus alas de luz y  es tan siempre.




Dalva Molina Mansano
2012



Foto: Google

COISAS PRATEADAS



Você não foi pescar,


Não limpamos peixes juntos.

Mas, roçou seu braço no meu,

E, igual Adélia,

também vimos estrelas

e coisas prateadas.







Dalva Molina mansano

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

SEM ESCAFANDRO







Em densa cortina fosca,

Balança a cachoeira em brados

Reproduzidos à flor d’água .



Com movimentos circulares,

embalando resquícios

da surpresa em queda,



círculos, círculos, círculos



No olho do furacão,

não arredo pé,

arrisco-me.



Molho-me inteira,

igualando-me em forças

mergulho sem escafandro.



Brumas escondem do poço

a imagem no fundo

em que as pedras perdem as formas.



Mexidas que são

revolvidas no marulhar

do espelho líquido.



A margem já não se reflete

em confusão

do que restou e flutua.



Espuma indefesa

inerme em mãos insistentes

arrimo de palmas.



Vazadas pelo estrépito

desespero neste vale

de sombras e brisas.



Em que tomo do pássaro

as asas e fico inerte,

tentando planar a alma.



Esta que não domino e

que tombada em vã tentativa

o vôo inverte.

INEXPLICÁVEL MÍSTICA





Sou quem sonha e esquece o sonhado


faço-me dona da lua

e do espaço mutilado

empunho bandeiras

tudo sensualmente amalgamado

inexplicável mística de algarismos

e ciência em plano secreto

dúbia sensatez do perdido

misturado ao afeto

saio de um lugar para alcançar

o outro desconhecido

coração indefeso

caprichos da poesia

em complexa experiência

imagino da noite pro dia

o sol e sua influência

a noite termina em acrobacia

TEUS OLHOS SÃO MENSAGEIROS




Teus olhos são mensageiros


Do resto do meu dia

Quando acordo e os vejo

Tão carinhosos, observando-me

Resta-me apenas beijá-los e

Sem palavras dizer

Que te amo!




Dalva Molina Mansano


SOU TEUS SONHOS



Realizei-me em ti


e sou teus sonhos

em mim realizados.

A ti dou meus amores

e desenganos expatriados.

crescemos, tu e eu

rígido tronco de palmeira.

Entre pedras, os sentimentos

cuidadosamente amparados







Dalva Molina Mansano

VIDA EM SONHOS


Tinha as mãos fechadas

guardando meus sonhos,

era perigoso abri-las

podiam perder-se.

Fui soltando dedo a dedo
                                                                                                                                                                                                    
V a g a r o s a m e n t e.



Quando se viram abertas,

Meu coração percebeu

Que estavam vazias.

Sonhos desvanecidos

Criança posta de lado!

Pus-me a percorrer trilhas

Valia a pena colher sonhos

Perdidos à beira da estrada.

Em cada galho, pendente

um fruto que se transformava.

Fui pegando-os um a um

V a g a r o s a m e n t e.



Coleta paciente,

Sorrisos recolhidos,

Recolheita dos sonhos.

Atirada, abri bem as mãos

Jamais as fechei novamente.

(melhor que ficassem abertas)

Agora são assim, espalmadas

Eternamente viradas pro céu!

Porque soltos não escapam.

No centro dos meus sonhos,

Unido a mim está você

Guarde-nos por mim, meu amor,

V a g a r o s a m e n t e!



Brinquemos juntos nesta festa

e sejamos felizes em nossas mãos

pois sonhos repartidos sustentam-se

não se perdem, multiplicam-se.

Somos assim: um do outro,

uma vida em sonhos.

E t e r n a m e n t e.







Dalva Molina Mansano

Agosto 2010

Ilustração: Google

terça-feira, 28 de agosto de 2012

AS CHUTEIRAS DE MANÉ



Antônio, a mulher e os filhos abandonaram a roça e trocaram o cabo da enxada pelo lápis (atrás da orelha), igualzinho acontecia nos sonhos do ex-agricultor:


__ Um dia, com a graça de Deus, troco a enxada pelo lápis atrás da orelha e vou atender freguesia atrás do balcão! Em vez de calos nas mãos, terei calo na orelha! O lápis fazendo contas o dia inteiro e a gaveta cheia, com a féria do dia!

Dito e feito! A colheita daquele ano foi boa, já dava para tocar o próprio negócio e não ser mais porcenteiro de patrão. A filharada precisava de escola e Antônio não os queria com a mesma sina de puxar enxadas.

Juntou família e tralhas, foi fazer a vida em São Martinho, lugarejo próximo ao sítio onde morava, com três ruas que, se tinham nomes, os moradores não sabiam. Eram identificadas como Rua de Cá, Rua de Lá e Rua do Meio. Esta, a principal, onde o comércio agitava os moradores, mormente nos sábados, quando os caminhões das fazendas traziam os fregueses para a compra da semana.

__ É lugar de gente boa! __ Dizia ele à família.

Na Rua do Meio, Antônio realizou o sonho. Montou seu comércio de secos e molhados e homenageou o santo do lugar __ Casa São Martinho. Letreiro bonito na parede, lápis atrás da orelha e a molecadinha atrás do balcão, fazendo festa com balas de mel. Agora eram donos da melhor venda do lugar!

Havia nas prateleiras “de um tudo”, conforme dizia Antônio, orgulhoso, para bem servir a freguesia. Os filhos mais velhos já ajudavam no balcão e a vida sorria para os novos comerciantes.

Entrava a década de cinquenta, a venda já bem estabelecida ia fazendo nome na região. Mané, o Manezinho, quarto filho na descendência, novinho ainda já mostrava dotes de vendedor e esperteza de comerciante. Era “um pé de boi” na venda, bom contador de histórias, imitador nato, admirado pelos fregueses que gostavam de ouvi-lo.

Moleque esperto, também era bom de bola. Tinha destreza nos pés e jogava peladas nos domingos, no chão poeirento de campos improvisados em terrenos baldios. Descalço, sempre descalço, literalmente com os pés no chão, entre pedras, pregos velhos, cacos de vidros e tantas outras tranqueiras. A ginga de Mané era a festa do jogo, os seus dribles encantavam os homens que assistiam às peladas, sentados em bancos de tábuas, à sombra das árvores. Certo dia, um deles não se segurou e foi ter com o vendeiro Antônio.

__ Compadre Antônio, ainda que mal lhe pergunte, por que não compra um par de chuteiras pro seu filho que joga tão bem?

O homem mostrava-se indignado, alertando sobre o perigo do menino cortar os pés e acabar tendo um tétano.

__ É bom menino e trabalhador, compadre! Jogar é seu divertimento nos domingos!

O vendeiro sentiu os brios avermelharem sua face, misturou vergonha com arrependimento. Abriu a gaveta da féria do dia, separou um tanto e tomou a decisão, naquela segunda-feira.

__Mané, venha cá! Tome esses trocados e vá ao sapateiro Jipinho. Encomende a ele um par de chuteiras.

O menino mal podia acreditar que iria ter chuteiras fabricadas por Jipinho, o melhor sapateiro das redondezas. Com os pés descalços, voou até lá e fez a encomenda detalhada, com prazo de entrega no sábado seguinte. Pagamento adiantado.

Durante toda a semana ele sonhara com as chuteiras de couro, pespontadas, cravos presos com pregos no solado, tudo de primeira. No final do expediente daquele sábado, a venda fechada, encerrou o caixa e, antes mesmo do banho, correu à sapataria em busca da encomenda.

Lá estavam elas, negras como a asa da graúna, cadarços colocados, prontinhas para estraçalhar o jogo no campeonato de domingo.

Levou-as para casa, deixou-as perto da cama. Trocavam olhares, elas e ele. O domingo prometia, sonhava com os gols que faria, sem que lhes doessem os dedões. Estirou-se na cama após o banho e sonhou acordado.

Naquela noite, iria a uma festa de casamento num sítio próximo. Dançar também era especialidade dele e não perderia a festança.

Entrando nos quinze anos, todas as festas já exigiam terno e gravata. Engalanou-se com seu único terno de casimira escura, camisa branca e gravata preta acertada no colarinho bem passado. Ao calçar as meias, olhou mais uma vez para as chuteiras, que reluziam à espera do domingo. Achou que devia calçá-las novamente, para certificar-se de que serviam bem nos pés.

Olhou-se no espelho, achou-se bem posto com terno gravata e. chuteiras. Decidiu que seria uma pena esperar para estreá-las no domingo. Elas ficavam tão bem com aquela roupa fina. Não se fez de rogado, foi à festa engalanado e com chuteiras novas.

O terreirão estava coberto com encerado sobre estrutura de bambus. Os convidados jantaram, lambuzaram-se de doces de abóbora, mamão e cidra. A bebida era guaraná e sodinha, sem contar algumas garrafas de cerveja resfriadas em gelo com pó-de-serra. O sanfoneiro Nelson já abria o fole, acompanhado pelo pandeiro do barbeiro Maurício. O baile correu solto até o raiar do dia. Até hoje contam que não sabiam se as faíscas que brilhavam no alto eram do sol que nascia ou dos cravos das chuteiras de Mané, que dançava e rodopiava conduzindo as moças e sonhando com gols.









Dalva Molina Mansano



sábado, 25 de agosto de 2012

SEM RUMO





O tempo acelera

e o único recurso à vista

é uma placa

com setas indicativas

para todas as direções






Dalva Molina Mansano

SÉRIE COMENTÁRIOS - PENSAMENTOS II

A saudade é o mais bonito sentimento que se pode ter por alguém,
embora às vezes seja dolorida como um transtorno!
É como se o peito fosse realmente rasgado
e de dentro dele se arrancasse a bomba prestes a explodir!
A saudade surge como um grito no barulho do eterno silêncio
e desse grito ressoa o eco mesmo que não se queira que o outro veja ou sinta;
mesmo que não se queira que aconteça o que o coração diz e mesmo que o cérebro não consinta.
Porque tudo é e está.



                                                               FOTO: http://www.fotosearch.com.br/fotos-imagens/bomba.html      



Dalva Molina Mansano

                                                                                                            
                                                                                                                        

SÉRIE COMENTÁRIOS - PENSAMENTO I


A vida é colorida,



quando assim a fazemos.



Torna-se cinzenta,



se deixamos que vendavais



assolem nossas janelas.



Vitrais aliviam a lâmina do sol


para que a realidade não machuque os olhos.









                                                                                                   http://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/vitral



Dalva Molina Mansano

O SILÊNCIO DAS PALAVRAS









Virei um açude involuntário

e estanquei em mim as palavras.

Foram presas na garganta

como que cercadas em um cubículo

de cujas grades queriam fugir.

Calada a voz,

o coração disparou

e gritos sufocados

bramiam em meu peito!

Quedem, por favor,

para que eu dormir possa!

Em vão imploro

e arrastam-me elas

vertedouro abaixo...

desaguam meus olhos

e confluem com este rio...

palavras soltas,

comportas abertas.

Eis meu poema!







(Dedico este poema à amiga/poeta Tânia Meneses, pois AGORA entendi (perfeitamente) o que quis dizer com “pedir demissão do sofrimento de ser poeta” - com carinho)









Dalva Molina Mansano

Abril/2010



O ANJINHO PARTIU




O Anjinho partiu,


deixou a cadeira cativa

à porta de entrada.

A pele bem rosada

com trilhas azuis

do pulsar dos anjos.



Juntou-se aos outros,

ao lado de Deus.

Em nós, restou a paz

impregnada de resignação.

Dorme Anjinho,

é sua hora de descansar.



Dalva Molina Mansano
2012

"PAI, PERDOAI-LHES, PORQUE ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM"



Nós não entendemos a mensagem de Cristo,

Pois Ele não veio para ser mácula na humanidade,

que se sujeitou às cegas aos domínios de seu tempo

e perduram dominados pela estreiteza dos intelectos.

É tristemente incompreensível esta realidade

Que desponta aos olhos, quando se vê que precisamos

do sofrimento de Cristo, para o culto às intenções puras do Pai.

E os erros perpetuam-se em falsas arquitetações,

onde subjetividades são causadoras lúcidas

daquilo que pende para o mal e nos faz interrogar:

_O Filho de Deus deveria carregar pecados alheios

e purgar por eles? _

Ele, por amor aos poucos bons, trouxe a Mensagem

tão necessária e merece a Luz sublime de Glória

Irradiante, porque não se deixou apavorar pela acolhida

hedionda e vingativa de homens ambiciosos.

Não usurpemos o Trono, tiremos de sobre nós

as quinquilharias que encobrem nossa estreiteza!

Elevemos preces pelas quais possamos nos comprometer

as mudanças que ainda não se concretizaram.

Amém!

VENHA A NÓS O VOSSO REINO



Palavras vãs neste tempo já não cabem.

“Está consumado!”, foi o Último Suspiro

do Filho de Deus na existência terrena,

sofrimentos e paixão por culpa dos homens.

Não para eles, como se tem propalado,

mas através deles para a confirmação

da gravidade daquele Seu martírio.





Não acusou ninguém, pois Ele é encarnação

do próprio amor... Despertemos da preguiça,

para o entendimento das leis inabaláveis.

O amor Divino permanece incompreensível,

preenchamos as lacunas da ignorância,

para que vejamos que Ele é a justiça

em sua forma mais perfeita e imutável.

“Está consumado!” e de Ti é o reino!




Dalva Molina Mansano
2012

ASAS DO VENTO





O vento chamava na janela, ouvi

ciciando nas folhas da goiabeira, então

da sacada acenei a quem chamava, senti

a fragrância mista de amor e sedução.



Eram asas que o vento me trazia, acolhi

nos leques de minhas mãos o alumbramento

levada em torpor no trajeto, sucumbi

sob pétalas de flor e outono violento.



Ouvindo o vento de esperanças, entendi

que das folhas me chamava o teu caminho

Espalhei preces em doce malva, senti

O calor macio do abraço qual arminho.




Dalva Molina Mansano
2012

APONTA O VÉRTICE

APONTA O VÉRTICE




Para o alto aponta o vértice,

lá de cima precipita a chuva lânguida.

A seara acolhe a rega em dádivas,

no chão vermelho desliza água em córrego.



Leito que leva ao longe o sonho em súplicas,

nele fulge a esperança em raios múltiplos.

Molha-se a terra, benta com doce líquido,

aquietam-se as folhas ao som dos pássaros.





Dalva Molina Mansano
2012

A MINHA MÃE



Ela era tão linda e rosada,


Tão senhorinha

Encantada.

Era minha

De amor, impregnada

Tão grande

E miudinha.

Era meu amor maior

Adorada

Que cantava pra mim

De noitinha.

Uma santinha,

A minha mãe

Tão pura

Só ela

Tão lá encima.

Em sentinela

A me cuidar.

Pra tudo há verso

Só pra ela

não há rima,

há um cantar

de saudade

do que fez Deus

em obra-prima.





Dalva Molina Mansano
2012

CEDO-ME




Não me abstenho do melhor nas manhãs de domingo.


Tomo o café (sentada bem perto da janela)

e tenho a mais linda paisagem,

estampada aos meus olhos.

Passo ali um tempo incontável,

porque me perco das coisas medidas

em números e escalas.

Cedo-me a mim mesma

e trago os goles, com os olhos à distância.

A brisa meneia folhas,

como que me acenando,

dizendo-me em cicios

que as flores dos ipês são minhas.

Ganho as cores do domingo

e guardo-as comigo,

neste recanto em que somos rainhas.




Dalva Molina Mansano
2012



LONDRINO



O ar de Londres cobre o lago,


névoa argêntea de lembranças.

O grande pássaro

de asas escondidas avança sob o sol.

Do orvalho, brotam gotas.



Dalva Molina Mansano
2012

MÃOS DADAS




Tão bom é passear no parque


E ver as plantas orvalhadas.

Melhor ainda é atravessar a ponte

Assim, nós dois de mãos dadas.



Dalva Molina Mansano 2012

SAIA-BRANCA



Saia-branca abotoou,

fez a roda feiticeira.

De orvalho clareou,

beladona trombeteira.



Anjo-de-trombeta,

cálice de chá perenal.

Tão igual a baioneta

Com resultado                                                 mortal.                                                           



Dalva Molina Mansano

2012

                                           Fotos: Google

****************************************************************************     Bot.]- Saia-branca é o nome popular de uma planta consi-

derada tóxica, pertencente à família das Solanáceas, e tam-

bém conhecida como trombeta, trombeteira, trombeta-de-

-anjo, cartucheira e zabumba. Produz uma flor muito vistosa,

de cor branca, que fica pendurada, lembrando a parte final

de uma trombeta ( daí seu nome alternativo). Todas as

suas partes são tóxicas e sua ingestão pode causar secu-

ra na boca, taquicardia, estado de agitação, alucinações e,

em casos mais graves, pode causar a morte. Seus princí-

pios ativos são alcalóides beladonados, como a atropina ,

escopolamina e hioscina.

O none científico da saia-branca é : Datura Suavolens.

http://www.dicionarioinformal.com.br/saia-branca/



Nome científico: Datura suaveolens H. et B. ex Willd.

Família botânica: Solanaceae

Outros nomes populares: erva-do-diabo, trombeteira, trombeta-de-anjo, beladona, figueira-do-inferno, aguadeira, zabumba.

Sinonímia botânica: Brugmansia suaveolensG. Don., Datura arborea L.

Arbusto perene, de ca. 3m de altura, de caule ramoso com lenticelas. Folhas alternas, curto-pecioladas, inteiras, ovado-oblongas, assimétricas na base, de margem inteira e levemente sinuada, de até 30cm de comprimento. Flores brancas a amarelo-creme, pendentes, ca. 30cm de comprimento, cálice tubular, pentâmero. Fruto capsular, indeiscente e fusiforme.

http://www.oocities.org/br/plantastoxicas/saia-branca.html

FILHOS



sinfonia dentro de casa


vermelho da alegria

sol janela a dentro

brisa pela porta

branco da paz

só nossa

aquarela

filhos






Dalva Molina Mansano
2012

TROMBETAS DE ANJOS

Trombetas de anjos,


olhares de soslaio

conselhos dispensáveis.

Nada é preciso,

Coisa alguma faça,

durma em paz,

tire os sapatos.

Depois da esquina,

há o sinal

e será mostrado.

Ao recebê-lo,

Feche a porta

e apague a luz.

Descerá a cortina,

Explicar-se-á

o inexplicável.





Dalva Molina Mansano 2012

DA NOSSA CANÇÃO





No vermelho da fogueira,

o calor de todo dia.



Assim é nossa vida

“a correr nos campos”.



Assim somos nós suaves

em mansas águas tantas.



Descobrimo-nos, os dois

sob as cinzas da solidão.



Nossa canção permanece

tal qual a “lua na lagoa”.



Luz de pirilampos,

Cachoeira e encantos.



Somos luzes e calor

de amores em remansos.



Dalva Molina Mansano

2012

TESSITURA

Eles chegaram,




estão aqui, os bons pensamentos

de mim se apoderaram.

Percorrem-me fios resplendentes

e espalham beleza e brilho.

Em torno, um quadro de movimentação,

a que dou remate e moldura de arte.

São incontáveis fios,

com múltiplas possibilidades,

pendentes sobre a tessitura em volta.

Tudo leve como um sopro provido

de delicioso perfume, sob os raios

do sol que nos abraça e aquece.

Daí advém o prêmio do bem,

este que jamais me será extorquido.

É quando a centelha cresce.




Dalva Molina Mansano
2012



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

DOBRO O JOELHO


Eu tenho o poder de não pensar


Nas coisas que não quero

E nelas não penso.

Todavia, subsistem

E a elas não sucumbe

O meu ser real, que sabe

Onde está o soberano.

Conheço a causa das coisas

E nada nelas me espanta,

Porque admito as partes

E o todo, como fora imóvel

Natureza permanente.

Sempre no meio do prescrito

Dobro o joelho e me domo

Em busca da eternidade

Onde a razão não cede à imaginação

E as impressões não iludem.



Dalva Molina Mansano
2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

REPOUSEI DA ALMA AS FALTAS




Bem me viu

O bem-te-vi

De olhos entre galhos.

O aviso eu ouvi,

Insistente repetia

Bem que te vi

E me via.

Coro os outros faziam

Que me viam

Que me viam.

Eu ouvi

Eu ouvi

À beira do lago,

Revivi,

Revivi.

Mergulhei os olhos

Na placidez do Igapó,

Sobrevoavam garças

Na solidão do pôr do sol.

E tudo se aquietou

Entre folhas e águas,

Sumiram os passos do dia

Repousei da alma as faltas

Já ninguém me via.





Dalva Molina Mansano
2012

VÍNCULOS



                                                                                                                                                                                                                                                                             
Venta a voz de ontem lá fora.

Brisa alvoroçada vai

Fria, em frenéticas notas.



Varrendo escassos restos

Que voltaram rejeitados

Pela noite dos errantes.



Vagueia lua lânguida, só

Vestal de prata vestida,

Vindima para duas taças.



Vigilante dos destinos,

Enobrece nesta noite

Vínculos que se enlaçam.



Vento e lua, óh, lua e vento

Vazem claro na vidraça,

Violem, teçam tal vigor.




Dalva Molina Mansano
2012

UM RUÍDO NO CORREDOR






Um ruído no corredor


atravessa o meu silêncio,

trazendo do vento as mãos.



Sinto-as sobre os ombros

transmitindo o ar respirado

do ontem a me visitar.



Um estalo encerra a volta

ao meu pátio ajardinado,

magro feito bater de porta.



Voam as lembranças embora,

ruflam explicações vãs

de que o ontem aqui não cabe.




Dalva Molina Mansano

SEMPRE-VIVAS





Gratas surpresas há na vida,

as sempre-vivas colaboram com elas .



Saúdam o colorido das telas,

embelezam-se e alegram o jardim.



Aos olhos restauram-se.



Constantes, aparecem as borboletas

e abelhas, renovando o ciclo.

                                                          Foto: encontrada através do Google

INEVITAVELMENTE




Pior do que encontrarmos uma porta fechada,


é vê-la se fechando, aos poucos, inevitavelmente.

                                                                Foto colhida através do Google

PERGUNTAR NÃO OFENDE - 1






Se é tão bom simplesmente viver,

por que inventar malabarismos?

                                                                                                  Foto colhida do Google


Dalva Molina Mansano
2012

"PÉROLA NEGRA"



                                                        Foto colhida através do google



De onde vem aquela lágrima,

pérola negra

em concha de dor?



De que lembranças emergem teus olhos

irmanados em crescente amor?



Onde pousarei meu olhar

nesse mar

Que escorre quente?



Ai, este sofrer

faz de ti pedra ônix

ou ébano ardente.



Dói-me o padecer

lanhado em teu rosto

e por ti sofro silente.



Dalva Molina Mansano

Maio de 2012

domingo, 19 de agosto de 2012

FALTAM 100 DIAS, VÍTOR! OU 99? E, TENDO DEUS NA FRENTE, ELES PASSAM TÃO RAPIDAMENTE!


LEMBRO-ME TÃO BEM DO DIA QUE VOCÊ ME DISSE QUE IRIA SER MÉDICO. ERA TÃO MENINO, UMA CRIANÇA AINDA. RECORDO-ME QUE LHE RESPONDI: CORRA ATRÁS DO SEU SONHO!

AGORA, FILHO, FALTAM 100 DIAS SÓ! OU 99?

DEUS ABENÇOE SUAS MÃOS, PARA QUE ELAS JAMAIS ERREM!

UM ABRAÇO NOSSO!





OLHOS ENAMORADOS





A poesia das coisas comove-me


e profundamente me afeta.

Alguém perguntará a respeito,

achando que elas são coisas apenas,

desprovidas de enlevo poético.



Responderei que delas eu capto

a expressão em seu momento íntimo,

este que me tira do estado

normal e me transforma em reflexo

do que vejo em tudo a minha volta.



Todos os seres têm sua poesia,

a sublime elevação do visto,

a mesma de um olhar em devaneios.

Olhos e coisas fogem ao neutro

estágio primitivo do ser.



Nada é apenas coisa ao meu olhar

que lhe enxerga a intimidade.

Tudo deixa de ser anônimo

porque em tudo está o que viram

os meus olhos, de ti enamorados.



sábado, 18 de agosto de 2012

MENTINDO VERDADES



A poesia me chamou,

acreditei no chamado.

Fiz reverências

e me perfumei.


Olhou-me,

feito criança que mente,

dizendo a verdade,

descaradamente.



Demos os braços,

de ganchinho,

ela e eu,

impunemente.



E saímos vida afora,

Ela mentindo,

Eu acreditando,

Fingidamente.



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ASSIM SOMOS

ASSIM SOMOS












Olhei no fundo dos teus olhos

neles me vi inteira refletida

...com eles me jogaste em tua alma

guardaste-me em tua vida.



Em todas as tuas gavetas estou

com tua luz, gravei em alto relevo

teu nome em mim e o meu em ti,

com firma reconhecida e enlevo.


Autenticada nos filhos que temos

fundimo-nos desta maneira com pureza

do nióbio, da platina e do titânio

química e brilho resistentes, fortaleza.





Ligação covalente dativa, convivemos

dois elétrons compartilhados

vindos do mesmo átomo, em união.

assim somos, tu em meus olhos agraciados

eu nos teus, mirando na mesma direção.









Dalva Molina Mansano

sábado, 11 de agosto de 2012

HAVIA UM HOMEM

O único jeito que tenho para homenagear meu pai, hoje, é dizendo um pouco da grandeza que ele foi. Por isso, pai, é para o Senhor que escrevi estes versos (tão simples), porém tão verdadeiros! Sinto sua presença aqui perto de mim, então, receba-os que eles têm o mesmo carinho das suas mãos, que me ajudavam a atravessar as ruas.




HAVIA UM HOMEM

...



Havia um homem,

Que honrava as calças

E tinha orgulho do nome.



Não precisava de subterfúgios.



Havia um homem,

Cujas barbas impunham

Respeito e sobriedade.



Havia um homem,

Que respeitava o semelhante

E se fazia respeitar.



Havia um homem

Que não frequentou escolas,

Mas era um sábio.



Ensinava com exemplos.



Havia um homem

De sorriso largo e bonito,

Olhar transparente de luz.



Que não escondia maldade,

Porque não a conhecia,

Vivia muito bem sem ela.



Havia um homem,

Que soube fazer feliz

A mulher que tinha e amava.



Havia um homem,

Grande e honroso pai

Que criou dez filhos.



Era um mestre dentro do lar.



Criou filhos dignos e humildes,

Reflexos do espelho que ele foi

E imitadores de seus feitos.



Havia um homem

Que jamais será esquecido,

Pois a iniquidade passou-lhe ao longe.





Havia um homem,

Que deixou belas lembranças

E exemplos de vida.



Havia um homem,

Que permanece em sua descendência

Sem constrangimento velado.



Havia um homem,

Um homem chamado Antônio,

Que deixou saudades.



Simplesmente Antônio.




Dalva Molina Mansano





sexta-feira, 10 de agosto de 2012

DOURADOS FIOS



De pétalas azuis e amarelas,

há doce aroma no ar.

Vozes de Anjos em capelas

em dourado trigo a ciciar.



Há cantigas no espaço,

acordes e notas sonantes.

Ao anoitecer, pisca-piscando,
                                                                                                            Foto: G1.globo.com
voltarão estrelas instigantes.



Darão notícias e mensagens

em sorrisos fosforescentes.

De todas as flores virão imagens

exaladas em perfumes de sempre.



Flores, anjos, vozes, doce brisa

dourados fios ondulantes.

Canções à estrela que desliza,

na janela, pedrinhas viajantes.



10 DE AGOSTO DE 2012


Dalva Molina Mansano

                                                                                                            Fotos: google

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

ESPERANÇAS EXPATRIADAS




Por trás dos mares em duras lembranças,

Ironicamente, para clarear

a solidão dos versos, “O sol também

se levanta” em meio a esperanças expatriadas.



Exiladas.



Das batalhas, as dores dançam em Fiesta

De San Fermin até que se ponha o sol.

Ai, Pamplona, arena e rua de la tierra,

Ensina-me o caminho da aurora.



Agora.



Tantos conflitos com o sol se erguem,

Arautos vindos de Montparnasse e do mal.

Escombros humanos na arena em sangria,

“mas a terra permanece, eternamente”.



Desumanamente.



Dalva Molina Mansano

Agosto de 2012