Dalva Molina-Encantamento

Dalva Molina-Encantamento
QUINTAL DE CASA

sábado, 26 de dezembro de 2009

Mãos que se foram

Esse gesto de mãos já me trazia boas lembranças
agora, ainda mais!
Dois homens que souberam ser pais.





Dalva Molina Mansano

dez. 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

São Martinho - Quintal de casa



A casa nos fundos
guardava as emoções:
a mãe, o pai, os filhos.
Na frente, havia o comércio
para a sobrevivência
da grande família;
o pai lutava contra a maré
na labuta insana
para manter
a descendência em pé!
contudo, não desanimava
(-meus filhos não puxarão enxada).
Aos herdeiros mais velhos,
primeiros na peleja,
ficaram belas histórias
para contar;
As crianças
brincavam no quintal
e não se davam conta
do tamanho de seus domínios.
Tudo era imenso!
No fogão à lenha,
a mãe aquecia o lar:
com todos os sabores da eternidade!
Simples flores no jardim
em cores alegres e perfumes singelos;
cercas de balaústres
deixavam vazar os sonhos,
mangueiras para subir
e jogar caroço lá de cima.
A alvorada tinha cantar de galos
no terreiro e na vizinhança.
O verde da horta
tinha o sabor
da terra vermelha:
ferro e aço
no sangue e no braço!
À tardinha,
já na boca da noite,
os vizinhos reuniam-se
em frente às casas:
conversas jogadas fora,
arrancadas do coração;
Estrondosas gargalhadas e
causos de assombração.
Os pequenos não se misturavam
com gente grande,
no pega-pega corriam
noite adentro.
Postes apagados...
cortaram a luz!
Ficou apenas
o lume da saudade.


Dalva Molina Mansano
dez.2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Então, será Natal!




A amiga surgiu,
de longe fez festa e
sinos de Natal
tilintam em meu coração.
Belas melodias
coral de anjos e
vozes na terra
prenunciam a salvação.
Há em mim o sentimento
do resgate necessário:
Preciso, real, urgente
nesta terra e além-mar
de Jesus
entre a gente
que nos leve a (re)pensar.
Não é preciso presente,
em pacote a brilhar
basta a paz
unicamente;
o amor
em nós brotar.
Então semearemos
O que Ele a nós propôs:
tão simples, simplesmente

como simples é amar...

Então... e só então
será Natal!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Retrato fora de foco

A moldura insiste
em amparar o retrato da vida;
mostra os risos nos lábios
e ao fundo, paisagem
de águas plácidas.
Embora sem equilíbrio,
os rostos estão estampados
e o espelho dos olhos
serve de testemunha
de um tempo feliz.
O vento bateu forte
e espalhou saudade...
Não importa a imagem
fora de foco;
Essencial é o que ficou,
o momento eternizado.
Na estrutura do peito
vendaval não mexe
e a moldura do coração
é o melhor porta-retrato
do verdadeiro amor.


Dalva Molina Mansno
dez. 2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

CACTO

Tu és um cacto
cercado de pedras
e terra árida.
Não importa a solidão
do agreste, a frieza
do deserto, o vazio...
vale muito mais
o verde que ainda manténs,
tua imponência
e tua atitude ereta.
Ainda dás flores
e, vez por outra,
um fruto...
És magnífico,
único e humilde
ao mesmo tempo.
Teus espinhos são disfarces,
carapaça protetora;
não desanimas,
porque tuas raízes são firmes
e teu suporte vem de longe,
para aturares
as intempéries da vida.
Em silêncio assistes
o passar das carruagens
e sobrevives.





Dalva Molina Mansano
13.12.2009

Delicada

Um tiquinho de gente
Que nos detalhes das artes
Te destacas na grandeza humana.






Dalva Molina Mansano
2008

Novo pai

Um menino guardado
No coração adulto
Do homem que se fez pai.



Dalva Molina Mansano
2008

Mestre

Tua voz ressoa firme
És a régua e o compasso
No equilíbrio de tuas palavras.



Dalva Molina Mansano
2008

Amigo ausente

Teu silêncio eloqüente
Enche de palavras
Nossas estantes inquietas.




Dalva Molina Mansano
20
08

Alegre presença

Teu nome lembra o sol,
Dás luz aos nossos dias
Nos sons quentes de tua risada.





Dalva Molina Mansano
2008

Teu coração

Teu coração não cabe em ti,
Queres abarcar o mundo
E em teu tempero a vida melhora.





Dalva Molina Mansano
2008

Apressadamente

Tens a pressa de quem precisa chegar logo,
Chegaste
E o guardamos conosco.






Dalva Molina Mansano
2008

Infinitesimal

Quem por último chega
Tem o compromisso de fechar ângulos;
Tu, ao contrário, abres paralelas infinitas.








Dalva Molina Mansano
2008

Bailes da vida

Nestes bailes que a vida toca,
Danças tuas melhores notas
No compasso da alegria.





Dalva Molina Mansano
2008

Professora

Na turbulência das manhãs ensolaradas,
Há em ti a placidez
De um lago intocado.







Dalva Molina Mansano

Porto seguro

Mansidão de águas calmas,
Tão bom aportar
No cais que há em ti.





Dalva Molina Mansano
2008

Vagarosamente

Foste chegando, como quem alonga a noite para o dia.
Ficaste como um bom exercício
De qualidade de vida.






Dalva Molina Mansano
2008

Lucas

Ele é bom
como boa é a rede
que a descansa da lida.
Veio de longe
(ave de arribação)
e fincou morada
no coração
da moça querida.
Plantou estacas,
cantou versos,
e espalhou poesia
em cada canto da casa.
Bastou:
ela agora é feliz.




Dalva Molina Mansano
13.12.2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

TENTATIVA

Tentei fazer-te um poema,
atrapalhei-me e não consegui.
A voz calada,
caminhos desencontrados,
palavra embaralhada...
Acho que são saudades
de ti.

O encanto de Ana

Chegou no meio das águas,
espuma branca no azul distante.
Acenou no claro dos seus olhos
um lampejo para quem veio de longe
e fez-se encanto.
Arrumou a desordem da casa,
fez o melhor jardim no quintal;
Abriu janelas.
Encantou ruas e passarelas,
ocupou o melhor lugar
e já não pode sair.
Corações entrelaçados,
mãos que se prendem,
sentimentos que libertam.
Assim Ana chegou:
suave como a brisa do mar
e está entre nós.

Saudade de ti

Tu estás distante
e o latejar do teu coração
pulsa dentro de mim.
Longe, buscas errante
força que dê sustentação
a teu sonho sem fim.
Ouço tua voz
no fio que nos liga,
falas comigo
e a paz me abriga.
És o nosso esteio
e tua ausência nos corrói,
Sem ti o mundo é feio
de saudade o peito dói.




Dalva Molina Mansano
12/ 12/2009

Teus movimentos

És uma bandeira que tremula
E agitas ao vento de cada dia, mas
o sol, que aquece teu coração, suaviza teus movimentos .







Dalva Molina Mansano

Tia Nena

Avental, colo coberto,
Mulher forte...aroeira
Olhos miúdos e doces
Jabuticabas no tronco da vida.

Sorriso fácil,
Mãos grossas da enxada
Amor derramado
Nas manhãs de todos os dias.

Tia Nena,
Madrinha e mãe
Fala sincera, palavra pura
De quem viveu no limite


De santa.






Dalva Molina Mansano.

Sonhos desfeitos

Derramei sonhos
e enchi meu quarto deles.
Rompeu o dia
e suas arestas me cortaram
a carne.
Árvore desfolhada
e pétalas que enfeitam o chão.
Formigas passeiam
e eu sou tão pequena
quanto elas.
Descobri que os sonhos
devem ficar seguros
dentro do coração.
Assim, eles não caem
e ninguém os pisa.


LONDRINA, 15 DE ABRIL DE 2008.



Dalva Molina Mansano

Para aprender conceitos

A vida é tão simples:
Eu te olho e tu me vês.
As palavras, tão eloqüentes
Até no silêncio das línguas.
A relação mais importante é esta:
Um sorriso daqui,
Uma alegria de lá
E é dada a partida.
Avanços e recuos?
Entrelaços de mãos
Nos caminhos da vida.
Assimilar conhecimentos?
Teorias do óbvio,
Tudo é fruto da mesma árvore!
algumas do tronco liso
Que nos derrubam na metade,
Feito pau de sebo
Em noite de São João.
Agarrados, voltamos ao topo
E lá está...
O diploma oferecido pela vida
E o nome do curso,
Importante e necessário:
Viver é inerente!
(Navegar é preciso)
O leme?
Ah! Este foi Deus que deu.


Dalva Molina Mansano

21/07/09

NO MUNDO DAS MARAVILHAS, ÉS ALICE

TU ÉS FORTE
COMO É A ROCHA
QUE SUSTENTA O CIMO.
HÁ EM TI A GRANDEZA
QUE POUCOS SABEM:
MULHER QUE SE FAZ MENINA,
QUANDO OS OLHOS SE EMBOTAM;
MENINA QUE SE FAZ MULHER,
QUANDO OS PEQUENOS TE BUSCAM.
UM ALENTO PARA NÓS,
NAS MANHÃS DE CADA DIA.
MAIS QUE TUDO:
ÉS POÇO DE TERNURA
QUE ESTAMPA DIGNIDADE,
QUANDO OLHAMOS NESSE ESPELHO D’ÁGUA.
MASSA DE CONCRETO E SENTIMENTO
ÉS ASSIM, ALICE:
FORÇA E COMPAIXÃO
NO CLARO DE TEUS OLHOS.


WARTA, 15 DE ABRIL DE 2008.




Dalva Molina Mansano

Momento

Um dia vi Carlinha:
Olhos de menina
E coração de gente grande.





Dalva Molina Mansano
2008

Meu amor





Em lados opostos
Éramos dois na rua;
Atravessamos o canteiro e
Viramos um.

Um bilhete,
Convite de união
Um ramalhete,
A tua em minha mão.

Sonhos atrelados,
Olhares cheios de brilho;
Corações batendo asas e
O trem da vida em seu trilho.

Apóstolo
da alegria,
Alma sensível de artista nato;
És pintura,
Tela colorida em nossa sala de estar.



Dalva Molina Mansano
2009

Sentimental

És um poço profundo,
Um sentimento sem fim
Que faz ondas ao toque de uma pétala.






Dalva Molina Mansano
2008

Gaivotas

De suaves movimentos,
Vôo distante de gaivotas.
Onde pousas há luz do sol.








Dalva Molina Mansano
2008

Carla e Vítor



Meus filhos
São a vida da casa.
Como são pássaros
Cantando e voando,
Aberta a porta da gaiola.










Dalva Molina Mansano
2008

Carla





Quem te fez, menina arteira
Não sabia
Que terias o dom de ensinar
Adultos a brincar.




Dalva Molina Mansano
2009

Dissimulado

Ao te mostrares, pintas uma rocha,
Mas há em ti,
não raro, o desenho de uma lágrima de amor.






Dalva Molina Mansano
2008

Vítor





Te sonhei , menino
No futuro da minha vida.
E te esperava
Como quem espera o brinquedo
Do melhor Natal.
Chegaste
E fizeste de luzes
o meu quintal
onde, a partir de então,
nunca mais
houve falta de alegria.
Acendeste o mundo
E iluminaste meu coração.






Dalva Molina Mansano
2009

Ângelus Luz




Anjo
pousou com suas asas abençoadas no meu campo;
Fez-se menino,
fez-se rapaz galanteador,
fez-se homem,
encantou-me e
fez-se pai dos meus filhos.
Nada mais precisou
ao cravar-se para sempre em minha vida.
Tudo transformou-se
pelo toque suave de suas mãos.
A vida tornou-se mais bonita
com aquele novo horizonte...
Não foi só a rua, foi a vida.
Não sem razão,
é o anjo que me guarda,
a delicadeza que me fez descobrir o mundo
e , através dele,
saber que é possível uma vida melhor
quando se luta com fé,
amor e dignidade.
Com Luz!



Dalva Molina Mansano/2008

À Bela Maria




Bela é muito mais bela por dentro,
ainda!
Talvez porque o lado de dentro
seja próximo da alma.
Nasceu no mês lindo do ano:
Mês de Maio, de Maria,
das mães, das flores;
É flor de maio,
Mês de Maria Bela.
Uma homenagem à mãe de todos nós:
Maria.
Isto não bastou,
era preciso mais
para que fosse bela,
sem que ninguém
pudesse colocar dúvida.
E aí está: Maria Bela.
Um ser iluminado
e claro como o cristal.
.



Dalva Molina Mansano

Maio de 2007

DANI E ADRIANO, UM SONHO NA CAPELA




Entre flores e verdes folhas,
Na capela reluzente
Notas leves...melodias
A emoção se faz presente.
Um anjo surge de branco...menina-mulher,
mulher menina;
linda, nas asas de outro anjo,
Anjo Miguel, Arcanjo Molina.
Suave, como criança
A embalar um sonho;
Conduzindo e conduzida
Numa valsa mano-a-mano
No compasso amor-e-vida
jóia entregue, primor tamanho
Ao novo-anjo Adriano.
Surge, então, um encanto
E tudo vai recomeçar
Nasce agora sem espanto
A raiz de um novo Lar.
De boa semente,
Reina, régia, mãe Regina
Forte e frágil num só tempo
Pra ensinar esta menina
Que os embates não são pedras,
Tendo sempre a mão Divina
Abrindo clareiras e veredas
Com sorrisos tudo ensina.
E a sorrir também oferece
Sem perigo, em qualquer pane
O braço forte e afável
Esta meiga Viviane.
Surpreende-me uma lágrima
Que escondi enquanto ria:
Fez-se o sonho esperado,
sob as bênçãos de Maria.


Um beijo da tia Dalva.
Londrina, 07 de dezembro de 2007.

O Natal e as estrelas




Às portas de mais um Natal
o mundo começa a se colorir
de verde e vermelho.
A aurora surge novamente,
linda como a mais linda princesa
daqueles nossos antigos sonhos e
das histórias de fadas
que nos contaram um dia.
Vem a tarde, abraça-nos
com um calor inebriante,
o dia parece que vai explodir
de tanta luz!
Surge a noite,
estrelas artificiais
cobrem a terra e, no alto,
lá bem alto, onde não alcanço
com a ponta de meus dedos,
estão as mais lindas...
aquelas que eu não podia contar
quando criança,
porque faziam crescer verrugas nas mãos.
Aí me pergunto: por que não as contei?
Teria sido tão divertido e,
talvez, nem tivessem nascido as tais verrugas...
Hoje, quase não tenho tempo
de olhar pro céu,
mas sei que elas estão lá e...
numa bela noite ainda crio coragem ...
conto-as apontando com o indicador;
se nascerem verrugas,
nem ligo pra elas;
faço a simpatia
que minha mãe me ensinou e
puf! Desaparecerão como encanto!




Dalva Molina Mansano
2006

OS BRAÇOS DE CARLA



HOJE, BEM DE MANHÃ,
SENTI O SEU CALOR EM MIM;
SENTI-ME GUARDADA EM SEUS BRAÇOS.
COMO FOI BOM!
PEDIU-ME UM ABRAÇO
COMO SE FOSSE UM FAVOR MEU.
MAL SABIA
QUE ERA EU QUEM DELE PRECISAVA.
GUARDEI-ME EM VOCÊ
ETERNAMENTE,
MINHA FILHA.


LONDRINA, 15 DE ABRIL DE 2008

Nossa casa - II




As coisas ainda são simples,
e é muito bom
os pés permanecerem no chão.
Não há razões
pra ser diferente!
Ainda há sagu
nas tardes de folga,
aroma de café no ar
logo cedinho;
feijão e arroz, carne moída
e amor no fogão.
Mais importante que tudo
é a nossa alegria
em torno da mesa;
é a espera do último abrir de porta
para sentarmos juntos
e comungarmos do mesmo pão.
Risos no ar, abraços,
música no ambiente
e história pra contar,
que todos contam!
Casa simples,
flores na janela
abertas sempre;
melhor que tudo
lá de fora
é saber que é um lar
cheio de amor
simplesmente!





DALVA MOLINA MANSANO
2009.

Nossa casa



Lá de longe, doce aroma
Que o vento me traz;
Coisas simples:
Feijão, arroz,
Sagu, pipoca, suco fresco
Bolo de água, torta de banana...
Forno quente
Varrido com vassoura de mato:
O pão cheiroso e macio
Assado na folha de bananeira;
Sabão no tacho
E torresmo explodindo
Nas minhas lembranças.
Meus pés sujos
Na terra do quintal
Sem calçadas...
(Cuidado menina,
Que o vidro corta!)
O chinelo do tempo
Já nem cabe...
Uma grande descoberta:
Corta mais esta saudade!


Dalva Molina Mansano
2009