segunda-feira, 29 de outubro de 2012
NÃO QUERO MAIS
Não quero mais
A imagem do passado
Martelando na memória.
Não quero mais
Andar no quintal das lembranças
De minha história.
Não, não quero mais
Pisar nas calçadas
Sujas de abandono.
Sem ver novamente
Minhas manhãs
Claras de outono.
Não quero mais
O musgo da falta
Dos passos de outrora,
Que vejo neste pesadelo
Sofrido de agora.
Não quero mais
Abrir portões
Que dão para o espaço
De tantas ausências.
Não quero mais
Olhar a tristeza do vazio
De abraços em abstinência.
Não, não quero
O silêncio das vozes,
Caladas por partidas
Tão tristes e atrozes.
O deserto deste tempo
Não quero mais.
Este aperto na garganta
E a falta de ar
Da infância
Não quero mais.
Não quero,
Porque não suporto
A mudez do galo
E do ciciar entre as folhas
Da mangueira.
Não, não quero mais
Pisar neste chão
Da minha viagem primeira.
Não quero mais
Sentir esta falta
De meus pais,
Em tudo que vejo
Estão as suas digitais.
Dalva Molina Mansano
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Uma lembrança que nos acompanha com suas marcas indeleveis.
ResponderExcluirUm profundo e belo mergulho neste mundo tão intimo e tão impregnado em tudo que vivemos.
Bela semana Dalva.
Sempre um encanto este poetar.
Meu terno abraço.
São mudas as neblinas nesta ilha
ResponderExcluirÉ de pobreza o pão que alimenta o meu sentir
Oiço o mar com os meus próprios dedos
Parti do desencontro dos meus derradeiros medos
Parti e deixei no cais mil dúvidas
Lembrei tempos que corri feliz pelas amoras
Nesses dias bebi sofregamente a vida
Nesses dias a minha alegria era incontida
Um radioso fim de semana
Doce beijo