sábado, 8 de setembro de 2012
EMBRULHO
Tantos pacotes de presentes
Com fitas coloridas eu fiz,
Com seus papéis enfeitados
Das cores, o supremo matiz,
Puros sentimentos embrulhados
Sob as mesas escondi.
Para não serem descobertos,
Antes de a festa começar,
Ocultei-os em laçarotes e
Alguns nem foram abertos,
Largados ficaram nos pacotes.
Por não valerem o tempo gasto
Ou por falta de exuberância,
Num canto qualquer e casto
Permaneceram incólumes, intatos
Não denunciaram a importância.
Depois da festa, recolhi as fitas,
Rasguei os papéis da infância
E deles fiz grande fogueira.
Na chama, as labaredas tinham vida
Porém, cinzas viraram, o matiz esmaeceu
E a cor sem graça eles ganharam
Do pó deste tempo meu.
Cinza que voa e passa
Levada pelo vento,
Nas asas do caduceu.
O conteúdo permanece
Embora pareça entulho
Guardei-o na alma em prece
Daqui não escapa o embrulho.
Dalva Molina Mansano
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