Dalva Molina-Encantamento

Dalva Molina-Encantamento
QUINTAL DE CASA

sábado, 21 de dezembro de 2013

INVESTIR NO PRECONCEITO É INVESTIR NA MEDIOCRIDADE



FOTO: GOOGLE

Desde o nascimento, o homem insere-se na vida em sociedade. Isto pressupõe o estabelecimento de relações de poder e a consolidação de identidades individuais que possibilitem a organização do meio social e a afirmação do indivíduo perante ele.

Tais pressupostos, muitas vezes, podem impelir as pessoas a adotarem posturas preconceituosas para com outras, no intuito de facilitar a própria afirmação e o exercício do poder. Desta forma, ignoram seu potencial de atingir legitimamente esses objetivos, num processo de mediocrização individual e coletiva.

Atitudes preconceituosas configuram-se norteadas e limitadas por princípios pré-estabelecidos, que prescindem de análise racional e crítica por parte de quem as pratica. Dada a potencialidade genuína do homem de exercer sua razão, tais atitudes mostram-se incompatíveis com o ato de existir como ser humano. Praticá-las, portanto, significa desprezar a própria capacidade de julgamento e raciocínio, que justificam a existência humana e promover a mediocridade da espécie.

A inibição de culturas preconceituosas prevê a conscientização do homem quanto ao convívio social, por meio de investimentos em sua educação e formação cultural. Tal conscientização resulta no entendimento do que é ser cidadão e dos direitos e deveres previstos por essa condição, além de mostrar os limites ética e moralmente aceitáveis que permeiam suas ações enquanto membro de uma sociedade.
A educação do indivíduo contribui no enriquecimento e no afloramento dos potenciais que ele possui e que, assim revelados e desenvolvidos, possibilitam-lhe utilizá-los como instrumentos na competição social pelo sucesso, ao invés de atuar preconceituosamente.

Os investimentos na educação também resultam na aculturação dos indivíduos, que, com o raciocínio desenvolvido, podem analisar a si próprios. Isso revela ao homem suas verdadeiras ideias e tendências e, assim, ocorre o desenvolvimento de uma identidade livre de ideologias pré-concebidas e de desvirtuamentos por estas incitados.

Sociedades incapazes de promover tais soluções e que se apresentam impregnadas pelo preconceito tendem à instabilidade e à desestruturação de suas instituições, resultado da falta de ética, da inconsciência cidadã e da sobreposição da mediocridade aos potenciais individuais. Os homens desvalorizam-se e desperdiçam suas forças em conflitos grupais inúteis e prejudiciais ao meio social.

Cabe à sociedade desenvolver métodos que inibam o surgimento de ideias preconceituosas, principalmente através de investimentos em educação. Na persistência do problema, é preciso que se estabeleçam punições que coíbam os preconceituosos.

Importa, então, que as pessoas se conscientizem de que são capazes e de que têm instrumentos para a obtenção do sucesso, sem que para isso seja necessário mediocrizar-se. Até porque não há sucesso que se estruture em bases medíocres.

Dalva Molina Mansano

20.11.2013
23:58

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

COISAS SIMPLES QUE NOS TRAZEM FELICIDADES



FOTO : GOOGLE



Precisando comprar papel para a impressora, entrei hoje numa papelaria. Não sei explicar o motivo, mas elas (as papelarias) sempre me encantam. Na verdade, acho que sei o motivo desse encantamento, sim, mas prefiro não falar dele, poderia parecer trauma e não me agradam os traumas.
Entretida fiquei lá, olhando objetos atraentes. Cartões de Natal? São lindos, bem desenhados, emoções colocadas no papel. Deixei-os lá, porque nada me interessou mais do que um, imaginem, um caderno.
Estava lá com capa dura, araminho em espiral e desenhos coloridos. Tão BONITO, divisões para dez matérias e um cheirinho bom nas folhas.
Comprei-o, trouxe-o para casa e o espio, volta-e-meia. Não vejo a hora de inaugurá-lo e haverá de ser com lápis, grafite nº 2, porque é assim que gosto. Como é bom ter um caderno e escrever, escrever, escrever... isso... no caderno!



Dalva Molina Mansano
20.12.2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

QUALQUER PROGRESSO NO ATO DE ESCREVER PRESSUPÕE OUTRO NA CAPACIDADE DE VER



A evolução do processo de escrita de um indivíduo pressupõe um desenvolvimento proporcional em sua capacidade de apreensão e compreensão do mundo no qual está inserido.
Sem o devido progresso na análise da realidade, a escrita estagna em uma de suas estruturas básicas: a transmissão de uma ideia acerca de um assunto.

O progresso do ato de escrever, oriundo da evolução da criticidade autônoma da realidade, delega ao homem utilidade social, pois suas ideias disponibilizam novas diretrizes para o pensamento e para as ações das pessoas. Além de beneficiar a sociedade, a sensação de utilidade promove a valorização do indivíduo perante si mesmo.

A finalidade de qualquer texto consiste na divulgação de uma maneira de pensar algum fato referente à realidade. O norteamento do texto, tanto em suas metas quanto no caminho até elas, é dado justamente por essas ideias.

A escrita configura o repasse de uma abstração mental, gerada e memorizada pelo cérebro, para o plano material, o que possibilita sua retransmissão e sua perpetuação na realidade física.
A origem de qualquer pensamento esquematizado reside na observância e na análise da sociedade. Consequentemente, estas também promovem o desenvolvimento de um bom texto, embora este pensamento possa até parecer um tanto abstrato.
Escrever bem depende de boas ideias. A geração de ideias provém da captação e de crítica da realidade que cerca o homem. Uma leitura de mundo aprimorada e liberta do senso comum da ingenuidade e da ignorância, instrumentaliza a formulação de pensamentos bem estruturados, realistas e originais.

O desenvolvimento da visão analítica da realidade resulta da convivência crítica no meio social, independente de conceitos e manipulados. O comprometimento com a crítica imparcial das atitudes humanas, físicas ou abstratas, implica a criação de conceitos próprios. Através disso, o indivíduo produz ideias originais que subsidiam e justificam a escrita.

Importa, então, que as pessoas se conscientizem da insuficiência criativa gerada pela acomodação crítica na visão de mundo, quando baseada apenas no olhar coletivo.
Cabe aos indivíduos praticar suas capacidades captação e análise da realidade, para que disto decorra a produção de boas ideias que fundamentarão bons textos.
Quem não sabe ver a realidade não tem o que escrever e, se escrever, perde-se tempo em ler.




28.11.2013
00:27

FILHOS E DORES CONSTITUEM-SE DE URGÊNCIAS



fOTO: google

Era tanto por fazer, tantos compromissos de trabalho a serem cumpridos, e o dia correndo, que parecia terem sido instaladas asas nas pernas dele. Era, praticamente, um avião daqueles grandões, quando, taxiando, toma impulso para decolar. Sim, meu dia estava pronto para decolar, na febre do “é agora ou nunca”. Era necessário terminar coisas iniciadas naquela sexta-feira, antes que o sol se fosse.

De repente, chegou a filha para o almoço com os olhos que tão bem conheço, pedindo ajuda. Semblante preocupado, sorriso amarelo e choro prestes. Ela estava aborrecida com um pequeno contratempo que lhe atrapalhara os projetos.

Ara, ara, que mãe seria eu se não interrompesse tudo, para um abraço duradouro nela, que tanto me pedia um amparo. Os compromissos podem esperar e o trabalho pode ficar para depois, pensei. Filhos e dores não podem e não devem ser deixados para outra hora, porque ambos se constituem de urgências.
Abortei o voo, claro, e devolvi os pés na terra com esta certeza que só mãe tem: filho é filho!

Chamei-a para um abraço, daqueles que guardam bem e fazem sentir o tum tum do outro coração, ali grudadinho. Aproveitei a proximidade e lhe disse ao ouvido: descanse aí no sofá um pouquinho, feche os olhos por uns instantes e espante a preocupação, enquanto me ajeito, passo um batom e ponho o cartão na bolsa. Vamos passear nesta tarde, que será nossa, só nossa.

Lembrei-me, então, de um dia da infância dela, em que eu havia recebido o pagamento salarial e, depois de muitas privações, peguei naquela mãozinha santa e disse: hoje vamos comprar a boneca que você escolher. Ah! como foi bom!

Voltei das lembranças e ela escolheu, desta vez, o shopping para o passeio. Fomos à livraria e viajamos muito em capas de livros e orelhas. Ela escolheu três volumes dos quais necessitava para suas leituras estudantis e eu escolhi um, para meu deleite mesmo. Saímos de lá feito crianças, felizes com os presentes que nos demos.

Em seguida, demo-nos o prazer dos deuses e tomamos o melhor cappuccino gelado do mundo, naquele momento, claro! E uma torta salgada deliciosa. Esqueci-me do regime alimentar e, se me lembrei, fiz cara de pouco caso.

Os olhos de minha filha voltaram a brilhar como brilharam no dia da boneca por ela escolhida e meu coração aqueceu-se de amor.
O meu trabalho? Ah, sim, deixei-o para o dia seguinte. Para ele, toda hora é hora.

Dalva Carla Molina Mansano
30.11.2013
11:16

HOJE EU GOSTARIA DE SER A BONECA EMÍLIA


IMAGEM: GOOGLE

Qualquer um que me visse hoje, pela primeira vez, inevitavelmente seria levado a crer que isto em que me transformei não passa de uma boneca de pano, em um de seus raros momentos de sono.
Assim, bem assim, gostaria eu de estar agora, num profundo sono e que, repentinamente, eu acordasse, para que o desavisado depressa percebesse quão grande fora seu erro.

Ah, como gostaria de ser Emília neste dia, neste momento!
Se assim o fosse, de meu inquieto, pequenino e ativo corpo, saltariam pensamentos extremamente inteligentes e eu voltaria a ser agitada e barulhenta.

De meu minúsculo ser, muito bem costurado com pedaços coloridos de pano, emanaria uma energia estrondosa, que logo contagiaria todos ao meu redor.
Meus cabelos, multicoloridos, cairiam sobre os ombros, de onde penderia um vestido cheio de bolinhas vermelhas. Minhas bochechas, constantemente ruborizadas, destacariam os meus olhos pequenos e escuros.

A boca, apesar de pequena, estaria sempre em movimento, enfeitada por um forte batom vermelho. O nariz, um pouco arrebitado, dar-me-ia um ar de arrogância e de impertinência. Só por hoje, apenas hoje, não me importaria com esse ar de presunção e altivez.

Em suma, minha face, depois de bem acordada, seria o espelho da personalidade marcante de Emília. Em mim estariam instaladas a aparência desafiadora e a arrogância da boneca e estas seriam supridas pela grande alegria e despreocupação com que ela sempre levou a vida, dando a todos uma aula de como se deve realmente viver.

Além de alegre e desafiadora, por ser muito emotiva e repleta de sentimentos nobres, certamente eu não perderia, em nada, para qualquer ser humano que tivesse um coração verdadeiro pulsando no peito.

Entretanto, todos que me olham só percebem a letargia e eu busco forças nos velhos trapos coloridos de Emília, confiando em que não se rompam neste meu esforço imensurável, para voltar a ser alegre e despretensiosa, feito Emília (bem acordada).



ESCREVI ESTE TEXTO EM RAZÃO DA DOR DO DESENCARNE DE MEU SOBRINHO, WALID MAHMOUD NAGE, FILHO DE MINHA IRMÃ E A QUEM EU MUITO AMO.
Dalva Molina Mansano