Foto colhida no Google
Encantas e assustas, Andaluzia
Com tuas montanhas rudes e imponentes
Cravada no berço da Serra Nevada
As águas de ti correm em aragem fria
São lágrimas de teus descendentes
Na mágica bacia ardente de Granada
Tens ares de nobreza arisca
Tu que és moura de fina flor
Colhida em férteis vales de longevidade
Bordada de cerâmica mourisca
De amendoeiras e do olival tens o sabor
Vega de maior brilho e civilidade
Oh, amada Paloma Blanca
Na peregrinação da Virgem do Rocio
Guardada desde a ermida tu estancas
A fecundidade do orvalho sadio
Abençoaste as terras de Almonte
Com amor cingiste as casas brancas
De ti ouço guitarra flamenca, Sevilhana
Tal qual na Plaza Mayor após a siesta
E nos terraços Del Salvador as bulerias
Sapateando a dança no bairro Tirana
Em Córdoba bailas espanhola em fiesta
Trago em mim o quente de ti, Andaluzia!
Dalva Molina Mansano
sábado, 29 de dezembro de 2012
TARDE DE GALA
De tão mansa a brisa,
Causa-me espanto
O bailar delicado das folhas
Que ciciam longínquas.
Festivas e parceiras,
Em diálogos uníssonos
Com os cantos dos pássaros,
Desfilam em tarde de gala.
Perco-me de mim, extasiada
Sinto medo de reencontrar-me,
Voltar ao mundo novamente
E perdee este vespertino espetáculo.
Dalva Molina Mansano
DESVIO DE ROTA
Entre enfeites juninos no salão
A criança abandonada,
Pega com cuidado em minha mão
Entregue aos caprichos do destino
Da vida, a rota desviada
Mais a minha que do menino
Dalva Molina Mansano
A criança abandonada,
Pega com cuidado em minha mão
Entregue aos caprichos do destino
Da vida, a rota desviada
Mais a minha que do menino
Dalva Molina Mansano
FORA DO EIXO
O aluno desamarrou os cadarços,
Cantou a escrachada canção,
Debochou dos supostos normais,
Riu gostosamente.
Feito um anjo fora dos trilhos
E fora do eixo
Amei-o naquele momento
Como amamos os filhos.
Dalva Molina Mansano
Cantou a escrachada canção,
Debochou dos supostos normais,
Riu gostosamente.
Feito um anjo fora dos trilhos
E fora do eixo
Amei-o naquele momento
Como amamos os filhos.
Dalva Molina Mansano
SE TE COBRISSEM
Se te cobrissem o corpo
Com todos os mantos
Do mundo a esconder-te
E te deixassem apenas
A nesga dos olhos,
Eu te encontraria
Pelo brilho que há neles,
Para descobrir-te novamente
E ocultar-me em ti.
Dalva Molina Mansano
Com todos os mantos
Do mundo a esconder-te
E te deixassem apenas
A nesga dos olhos,
Eu te encontraria
Pelo brilho que há neles,
Para descobrir-te novamente
E ocultar-me em ti.
Dalva Molina Mansano
OLHARES
Tanto há num olhar
Há o ontem e o hoje
Irmanados, reunidos
Paralelos e profundos
O amanhã?
Os olhos apenas desconfiam
E ariscos perscrutam.
Dalva Molina Mansano
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
NÃO VOU E NÃO IREI
As frutas continuam lá
Amarelas como ouro
A chamar os tolos
Não vou e não irei
Há espinhos nas galhas
E a certeza indubitável
Do azedume ao invés de néctar
Não vou e não irei
Cairão e apodrecerão
Sem que eu corra riscos
Já foi o tempo
De adentrar seara alheia
Não vou e não irei
Ficamos assim
Elas perdendo-se lá
Eu a me encontrar aqui
Não vou e não irei
Dalva Molina Mansano
POESIA É MÚSCULO
“Poesia é músculo”
Que precisa de movimento
Ou se atrofia, endurece,
Encolhe-se e morre.
Poesia é músculo
Que requer exercício diário,
Ou se perde o sentido dela
E aquieta-se encolhida.
Poesia é músculo
Que pede o alongamento da alma,
Ou se enrijece o humano
E não se alcança a essência.
Poesia é músculo
Que implora aquecimento da sensibilidade
Ou promove a contratura definitiva
Do sentimento desperdiçado.
Dalva Molina Mansano
REVISITANDO
REVISITANDO
Na malinha, as lembranças
De toda a sua existência.
Um bilhete amarelado,
Fotografias antigas.
Alguns poemas da mocidade,
Uma rosa seca.
Pétalas rubras, escurecidas,
Cor da primeira declaração.
Tantas lembranças
Na pequena mala.
Onde guardou a vida.
Dalva Molina Mansano
SE TE AMO?
Se te amo?
Por que me perguntas se te amo?
Não o sentes no toque de minhas mãos?
Não entendes a voz dos meus abraços?
Guardo-te todos os dias em mim
Quando partes e tuas lindas mãos me acenam
O adeus verte lágrimas
E chamo a todos por teu nome
Por que me perguntas se te amo?
Hoje, minhas mãos vazias de ti
Buscam-te nos corredores vazios
E me perguntas se te amo!
O silêncio do quarto grita teu nome
E me perguntas se te amo!
Como disse Drummond,
Queres que te diga de 5 em 5 minutos?
“é isto, amor: o ganho não previsto”
Queres que te diga se te amo?
Drummond não basta?
Nelson Rodrigues diria:
É óbvio, ululante!
Para minha amada filha, na saudade de hoje
Dalva Molina Mansano
DÚBIA SENSATEZ
Sou quem sonha e esquece o sonhado
faço-me dona da lua
e do espaço mutilado
empunho bandeiras
tudo sensualmente amalgamado
inexplicável mística de algarismos
e ciência em plano secreto
dúbia sensatez do perdido
misturado ao afeto
saio de um lugar para alcançar
o outro desconhecido
coração indefeso
caprichos da poesia
em complexa experiência
imagino da noite pro dia
o sol e sua influência
a noite termina em acrobacia
Dalva Molina Mansano
SOU TEUS SONHOS
Realizei-me em ti
e sou teus sonhos
em mim realizados.
A ti dou meus amores
e desenganos expatriados.
crescemos, tu e eu
rígido tronco de palmeira.
Entre pedras, os sentimentos
cuidadosamente amparados
Dalva Molina Mansano
TEUS OLHOS
Teus olhos são mensageiros
Do resto do meu dia
Quando acordo e os vejo
Tão carinhosos, observando-me
Resta-me apenas beijá-los e
Sem palavras dizer
Que te amo!
Dalva Molina Mansano
Agosto 2010
VIDA EM SONHOS
Tinha as mãos fechadas
guardando meus sonhos,
era perigoso abri-las
podiam perder-se.
Fui soltando dedo a dedo
V a g a r o s a m e n t e.
Quando se viram abertas,
Meu coração percebeu
Que estavam vazias.
Sonhos desvanecidos
Criança posta de lado!
Pus-me a percorrer trilhas
Valia a pena colher sonhos
Perdidos à beira da estrada.
Em cada galho, pendente
um fruto que se transformava.
Fui pegando-os um a um
V a g a r o s a m e n t e.
Coleta paciente,
Sorrisos recolhidos,
Recolheita dos sonhos.
Atirada, abri bem as mãos
Jamais as fechei novamente.
(melhor que ficassem abertas)
Agora são assim, espalmadas
Eternamente viradas pro céu!
Porque soltos não escapam.
No centro dos meus sonhos,
Unido a mim está você
Guarde-nos por mim, meu amor,
V a g a r o s a m e n t e!
Brinquemos juntos nesta festa
e sejamos felizes em nossas mãos
pois sonhos repartidos sustentam-se
não se perdem, multiplicam-se.
Somos assim: um do outro,
uma vida em sonhos.
E t e r n a m e n t e.
Dalva Molina Mansano
Agosto 2010
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
ETERNAS CEREJAS
Não posso negar-me a taça
que me embriaga do excesso de vida.
Bebo dela e sorvo tudo que existe em volta
e no vento faz sentir
a fina flor do fado a oferecer
o mel do vinho no áspero tronco
esquecido da árvore
que já produziu frutos de que bebi o suco.
E sinto na boca o acre sabor das eternas cerejas
que me coloriram os lábios.
Dalva Molina Mansano
EM MEUS CANSADOS OLHOS
Se guardo teus traços
Em meus cansados olhos
E se te vejo
Nas mínimas coisas,
É porque estás
(Muito mais do que nelas)
Inteiramente em mim.
Dalva Molina Mansano
MEU AMOR
Meu amor
Meu amor traz café na cama
descobre-me a cada dia
brinca com meus cabelos.
Meu amor me enleia
e me olha sorrateiro
bem de perto,
que me traz estrelas
nas retinas.
Revira tudo,
com jeito moleque
canta comigo
enlouquece na minha loucura.
Ai meu amor, meu amor!
Dalva Molina Mansano
Abril, 2010
PROFESSORES: AS DOENÇAS QUE OS ACOMETEM E A SÍNDROME DE BURNOUT
Este artigo sobre as doenças que acometem os professores e a Síndrome de Burnout, não se trata de texto científico, mas de opinião, pois almeja levantar questionamentos e hipóteses para as frequentes ocorrências relacionadas à saúde dos profissionais da educação, para as quais a sociedade faz ouvidos moucos ou, no máximo, ouvidos de mercador. É um texto calcado em indagações surgidas da vivência em ambiente escolar e que anseiam por um olhar atento da sociedade brasileira, olhar este direcionado ao outro lado da problemática da Educação no Brasil. Voltado à marca indelével e evidente da quantidade indefinida de professores atingidos por um sem número de moléstias advindas de esgotamento físico e mental e que não aparecem em estatísticas. O presente artigo de opinião pretende também provocar questionamentos que tragam respostas e/ou soluções concretas para subsídios que ofereçam amparo de tratamento e respaldo jurídico a esses profissionais que estão trabalhando no limite de suas forças, sem a merecida atenção que lhes é devida.
Chama a atenção a grande incidência de professores que estão impedidos de trabalhar, em virtude de serem acometidos por diversas doenças, as quais são diagnosticadas como consequências de violento estresse. Ficam temporariamente afastados das salas de aulas, querem continuar desempenhando suas atividades profissionais, mas são impedidos pelo mal que os acomete. Durante o afastamento, perambulam de um consultório para outro, em eterna via crúcis de laudos e mais laudos inconcludentes. Não encontram amparo legal que os tranquilize durante o tratamento e, não raro, ficam à mercê de que passe o tempo (a trancos e barrancos) e lhes chegue a aposentadoria por tempo de serviço ou por idade adequada, mesmo que esta ainda esteja longe de acontecer. Permanecem em desvios de função, readaptados, desempenhando atividades alheias a sua formação, sendo criticados e vistos como “aquele que não quer trabalhar”. A Perícia não aceita o diagnóstico médico, não confirma a necessidade de aposentadoria e estipula prazo para que o professor volte ao trabalho, exigindo o corte de readaptação e forçando o profissional a voltar à sala de aula.
Ao contrário dos celetistas, os professores não têm amparo das leis específicas que regem os servidores públicos, leis estas que deveriam protegê-los em situação de doença, ficando, assim, à margem da segurança proporcionada aos trabalhadores sob regime CLT. Vão e voltam, voltam e vão, pois as doenças instalam-se e, por serem produtos de causa e efeito, muitas delas não são curadas totalmente e retornam por força de obrigação, causando danos irreparáveis tanto ao indivíduo acometido como aos estudantes diretamente ligados a esses professores.
São inúmeros casos de doenças que variam de profunda depressão a problemas de articulações motoras, patologias como a Lesão Por Esforços Repetitivos (LER), (escolas públicas não oferecem muito além de giz e apagador), calos e fendas nas cordas vocais, enxaquecas, crises hipertensivas, sintomas de ansiedade, irritabilidade, insônia, alterações no apetite, desânimo, enfim, situações que alteram completamente o desenvolvimento do trabalho, inclusive provocando fobia social.
O que nos aflige diante deste quadro é a desatenção da sociedade e das autoridades da área para com essa grave realidade e suas implicações.
Podemos relacionar muitos destes casos à Síndrome de Burnout? Eis o questionamento que fazemos. Ora, esse é o termo popular da língua inglesa para designar algo que deixou de funcionar por absoluta falta de energia. Tal Síndrome é atribuída a qualquer trabalhador de outra área que tenha uma resposta negativa do organismo ao estresse, que chegou ao seu limite e não tenha mais condições de desempenho físico e mental. É também atribuída essa Síndrome ao professor no exercício de suas funções, embora as autoridades façam vistas grossas ao problema.
Um professor que adquire patologias por consequência de sério esgotamento nervoso deveria e/ou poderia ser enquadrado, então, nas estatísticas dessa síndrome? Ele merece que lhe sejam oferecidas as garantias sob aspectos jurídicos, focando o nexo causal, as sequelas psicológicas ou neurofuncionais promovidas pelo agente estressor?
Fala-se tanto em qualidade da educação, em capacitação profissional que, aliás, são fatores preponderantes, mas o cuidado com a saúde do profissional educador é esquecido. Há a necessidade premente de que os responsáveis pela Educação, Saúde e Psicologia Jurídica do Brasil enxerguem esse quadro assustador de profissionais educadores doentes, lutando solitariamente em corredores ambulatoriais, clamando por amparo dos psicólogos forenses, pois não diferem de qualquer outro trabalhador em suas ansiedades e necessidades. Precisam de orientações que lhes indiquem recursos de enfrentamento, pois são vítimas do ambiente altamente estressante em que se transformaram as escolas.
A mídia tem denunciado casos de agressões físicas e morais, ameaças de toda sorte a professores. Essas agressões são subestimadas pelas Secretarias de Educação e consideradas como “casos isolados”, embora sejam acontecimentos recorrentes em todas as localidades do país, acarretando graves consequências a docentes e discentes. Os episódios são escondidos da sociedade e banalizados. É fato que qualquer profissional que trabalhe sob pressão constante, fatalmente desenvolverá moléstias e sucumbirá. Logicamente, com os trabalhadores da educação não é diferente. As transformações ocorridas no mundo moderno são fontes persistentes de desentendimentos e atritos entre professores e alunos que, em regra, acarretam críticas àqueles, sem que sejam analisadas as duas faces da moeda. São fatos que se somatizam e demandam grande quantidade de doenças.
Os índices verdadeiros (não estamos falando de estatísticas maquiadas) de ensino/aprendizagem caíram vertiginosamente nos últimos tempos e a qualidade de vida dos trabalhadores envolvidos no fazer pedagógico despencou na mesma proporção. Considerando que o profissional acaba abrindo mão de perspectivas importantes de vida, não obtém resultados satisfatórios de aprendizagem dos alunos e precisa garantir a subsistência a qualquer custo, ele perde a identidade e, consequentemente, um pouco de seu ser. Fica estagnado, sem motivação e sem satisfação e estas perdas acarretam a queda de qualidade de vida, esvaindo-lhes as condições físicas e mentais.
Como mantenedores de famílias, os professores obrigam-se a aumentar a carga horária de trabalho, sobrecarregando-se de aulas nos três turnos, em condições abaixo do nível supostamente tolerável. Essa carga excessiva de trabalho atinge o aspecto psíquico e provoca exagerada carga mental. O resultado desse conjunto de fatores aparece como sérios prejuízos a quem deveria ensinar e a quem, teoricamente, deveria aprender.
Há muitos casos em que os menores infratores são encaminhados às escolas e estas, literalmente, são obrigadas a recebê-los. Todavia, sem suportes de apoio de qualquer espécie, tampouco recebendo acompanhamento por parte da justiça que os encaminha, para verificação da permanência deles em sala de aula e, principalmente, em que condições disciplinares eles lá estão. Os professores ficam expostos a toda e qualquer reações advindas desses alunos reconduzidos à escola, sem condições de defesa.
Este é o cenário de muitos estabelecimentos públicos de ensino, sobretudo no período noturno.
Com a escalada da violência na sociedade atual, que mostra mudanças profundas na instituição familiar, nas relações de trabalho, com danos psíquicos decorrentes de danos morais, o corpo docente grita por auxílio do poder judiciário e pede a presença de psicólogos jurídicos para obtenção de análises e estudos de cada caso de professor afastado temporariamente por doenças.
A Burnout de professores caracteriza-se por exaustão física e emocional que provoca a perda gradual da vontade de lecionar. Um estudo feito na Virgínia, Estados Unidos, abordando professores que decidiram não retornar aos postos nas salas de aula, mostrou que essa atitude era motivada “pela falta de recursos, falta de tempo, reuniões em excesso, número muito grande de alunos por sala de aula, falta de apoio e pais hostis.”
Sabe-se que no Brasil há pouca jurisprudência sobre indenizações trabalhistas por diagnósticos da Síndrome de Burnout e que esse diagnóstico contempla trabalhadores de outras áreas. A pergunta que reiteramos é esta: por que, no Brasil, professores não podem ser enquadrados nesse diagnóstico?
Renê Descartes precoce e sabiamente já estabelecia um hiato entre pensamento e matéria, mostrando que a construção de um autômato pensante seria uma tarefa impossível, pois a diferença entre humanos e autômatos é intransponível. Podemos transpor essa ideia aos quadros funcionais das escolas atuais, já que os mestres estão sendo exigidos como se fossem autômatos. Então, teima o questionamento insistente e novamente salta a pergunta de como poderia um autômato conduzir um aluno às descobertas e à visão clara do mundo em torno?
Diante do quadro evidente que se verifica nas escolas brasileiras, em que tantos profissionais qualificados estão à mercê da própria sorte, resta a preocupante constatação de que, se não cuidarem dos professores, brevemente terão que dar um tratamento de choque à educação, pois esta já dá sinais claros de falência múltipla, tomara que não agonize brevemente.
Dalva Molina Mansano
Sinceros agradecimentos à Professora Tânia Meneses, colega deste Recanto, que gentilmente fez a revisão deste texto.
...............................................................................................................................
“DIAGNÓSTICO
A Síndrome de Burnout não consta nas classificações psiquiátricas como o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV) e o Código Internacional de Doenças (CID-10). A Síndrome do Esgotamento Profissional integra a lista de doenças profissionais e relacionadas ao trabalho (Ministério da Saúde, Portaria n° 1339/ 1999), classificado como problema que leva ao contato com serviços de saúde (CID-10 Z73.0).
Segundo Maslach, Burnout é uma síndrome psicológica resultante de estressores interpessoais crônicos no trabalho e se caracteriza por exaustão emocional, despersonalização (ou ceticismo) e diminuição da realização pessoal (ou profissional). A exaustão emocional (EE) pode ser traduzida como fadiga intensa, falta de forças para enfrentar o trabalho e sensação de ser constantemente exigido além de seus limites emocionais. A despersonalização (DE) caracteriza-se por distanciamento emocional e indiferença em relação ao trabalho ou aos clientes atendidos pelo profissional. [...] O instrumento mais utilizado para o diagnóstico de Burnout é o Maslach burnout Inventory (MBI). Este inventário possui versões aplicáveis a categorias profissionais específicas: MBI - HSS (Human Services Survey) para pessoas da área da saúde e cuidadores ou serviços humanos e sociais, MBI-ES (Edicator´s Survey) e MBI-G ( General Survey) para educadores e para profissionais que não estejam em contato direto com o público ou serviço. No Brasil foram publicadas adaptações para o português das versões MBI-HSS e MBI-ES.”
A informação acima foi colhida da Revista Ciência & Vida Psique (Edição Especial) - pág. 50 - Trabalho Explosão de Estresse, por Maria Emilia Marinho de Camargo
REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS
DISPONÍVEIS EM
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Burnout#A_S.C3.ADndrome_de_.22Burnout.22_em_Professores,
Acesso em 22.07.11
Chama a atenção a grande incidência de professores que estão impedidos de trabalhar, em virtude de serem acometidos por diversas doenças, as quais são diagnosticadas como consequências de violento estresse. Ficam temporariamente afastados das salas de aulas, querem continuar desempenhando suas atividades profissionais, mas são impedidos pelo mal que os acomete. Durante o afastamento, perambulam de um consultório para outro, em eterna via crúcis de laudos e mais laudos inconcludentes. Não encontram amparo legal que os tranquilize durante o tratamento e, não raro, ficam à mercê de que passe o tempo (a trancos e barrancos) e lhes chegue a aposentadoria por tempo de serviço ou por idade adequada, mesmo que esta ainda esteja longe de acontecer. Permanecem em desvios de função, readaptados, desempenhando atividades alheias a sua formação, sendo criticados e vistos como “aquele que não quer trabalhar”. A Perícia não aceita o diagnóstico médico, não confirma a necessidade de aposentadoria e estipula prazo para que o professor volte ao trabalho, exigindo o corte de readaptação e forçando o profissional a voltar à sala de aula.
Ao contrário dos celetistas, os professores não têm amparo das leis específicas que regem os servidores públicos, leis estas que deveriam protegê-los em situação de doença, ficando, assim, à margem da segurança proporcionada aos trabalhadores sob regime CLT. Vão e voltam, voltam e vão, pois as doenças instalam-se e, por serem produtos de causa e efeito, muitas delas não são curadas totalmente e retornam por força de obrigação, causando danos irreparáveis tanto ao indivíduo acometido como aos estudantes diretamente ligados a esses professores.
São inúmeros casos de doenças que variam de profunda depressão a problemas de articulações motoras, patologias como a Lesão Por Esforços Repetitivos (LER), (escolas públicas não oferecem muito além de giz e apagador), calos e fendas nas cordas vocais, enxaquecas, crises hipertensivas, sintomas de ansiedade, irritabilidade, insônia, alterações no apetite, desânimo, enfim, situações que alteram completamente o desenvolvimento do trabalho, inclusive provocando fobia social.
O que nos aflige diante deste quadro é a desatenção da sociedade e das autoridades da área para com essa grave realidade e suas implicações.
Podemos relacionar muitos destes casos à Síndrome de Burnout? Eis o questionamento que fazemos. Ora, esse é o termo popular da língua inglesa para designar algo que deixou de funcionar por absoluta falta de energia. Tal Síndrome é atribuída a qualquer trabalhador de outra área que tenha uma resposta negativa do organismo ao estresse, que chegou ao seu limite e não tenha mais condições de desempenho físico e mental. É também atribuída essa Síndrome ao professor no exercício de suas funções, embora as autoridades façam vistas grossas ao problema.
Um professor que adquire patologias por consequência de sério esgotamento nervoso deveria e/ou poderia ser enquadrado, então, nas estatísticas dessa síndrome? Ele merece que lhe sejam oferecidas as garantias sob aspectos jurídicos, focando o nexo causal, as sequelas psicológicas ou neurofuncionais promovidas pelo agente estressor?
Fala-se tanto em qualidade da educação, em capacitação profissional que, aliás, são fatores preponderantes, mas o cuidado com a saúde do profissional educador é esquecido. Há a necessidade premente de que os responsáveis pela Educação, Saúde e Psicologia Jurídica do Brasil enxerguem esse quadro assustador de profissionais educadores doentes, lutando solitariamente em corredores ambulatoriais, clamando por amparo dos psicólogos forenses, pois não diferem de qualquer outro trabalhador em suas ansiedades e necessidades. Precisam de orientações que lhes indiquem recursos de enfrentamento, pois são vítimas do ambiente altamente estressante em que se transformaram as escolas.
A mídia tem denunciado casos de agressões físicas e morais, ameaças de toda sorte a professores. Essas agressões são subestimadas pelas Secretarias de Educação e consideradas como “casos isolados”, embora sejam acontecimentos recorrentes em todas as localidades do país, acarretando graves consequências a docentes e discentes. Os episódios são escondidos da sociedade e banalizados. É fato que qualquer profissional que trabalhe sob pressão constante, fatalmente desenvolverá moléstias e sucumbirá. Logicamente, com os trabalhadores da educação não é diferente. As transformações ocorridas no mundo moderno são fontes persistentes de desentendimentos e atritos entre professores e alunos que, em regra, acarretam críticas àqueles, sem que sejam analisadas as duas faces da moeda. São fatos que se somatizam e demandam grande quantidade de doenças.
Os índices verdadeiros (não estamos falando de estatísticas maquiadas) de ensino/aprendizagem caíram vertiginosamente nos últimos tempos e a qualidade de vida dos trabalhadores envolvidos no fazer pedagógico despencou na mesma proporção. Considerando que o profissional acaba abrindo mão de perspectivas importantes de vida, não obtém resultados satisfatórios de aprendizagem dos alunos e precisa garantir a subsistência a qualquer custo, ele perde a identidade e, consequentemente, um pouco de seu ser. Fica estagnado, sem motivação e sem satisfação e estas perdas acarretam a queda de qualidade de vida, esvaindo-lhes as condições físicas e mentais.
Como mantenedores de famílias, os professores obrigam-se a aumentar a carga horária de trabalho, sobrecarregando-se de aulas nos três turnos, em condições abaixo do nível supostamente tolerável. Essa carga excessiva de trabalho atinge o aspecto psíquico e provoca exagerada carga mental. O resultado desse conjunto de fatores aparece como sérios prejuízos a quem deveria ensinar e a quem, teoricamente, deveria aprender.
Há muitos casos em que os menores infratores são encaminhados às escolas e estas, literalmente, são obrigadas a recebê-los. Todavia, sem suportes de apoio de qualquer espécie, tampouco recebendo acompanhamento por parte da justiça que os encaminha, para verificação da permanência deles em sala de aula e, principalmente, em que condições disciplinares eles lá estão. Os professores ficam expostos a toda e qualquer reações advindas desses alunos reconduzidos à escola, sem condições de defesa.
Este é o cenário de muitos estabelecimentos públicos de ensino, sobretudo no período noturno.
Com a escalada da violência na sociedade atual, que mostra mudanças profundas na instituição familiar, nas relações de trabalho, com danos psíquicos decorrentes de danos morais, o corpo docente grita por auxílio do poder judiciário e pede a presença de psicólogos jurídicos para obtenção de análises e estudos de cada caso de professor afastado temporariamente por doenças.
A Burnout de professores caracteriza-se por exaustão física e emocional que provoca a perda gradual da vontade de lecionar. Um estudo feito na Virgínia, Estados Unidos, abordando professores que decidiram não retornar aos postos nas salas de aula, mostrou que essa atitude era motivada “pela falta de recursos, falta de tempo, reuniões em excesso, número muito grande de alunos por sala de aula, falta de apoio e pais hostis.”
Sabe-se que no Brasil há pouca jurisprudência sobre indenizações trabalhistas por diagnósticos da Síndrome de Burnout e que esse diagnóstico contempla trabalhadores de outras áreas. A pergunta que reiteramos é esta: por que, no Brasil, professores não podem ser enquadrados nesse diagnóstico?
Renê Descartes precoce e sabiamente já estabelecia um hiato entre pensamento e matéria, mostrando que a construção de um autômato pensante seria uma tarefa impossível, pois a diferença entre humanos e autômatos é intransponível. Podemos transpor essa ideia aos quadros funcionais das escolas atuais, já que os mestres estão sendo exigidos como se fossem autômatos. Então, teima o questionamento insistente e novamente salta a pergunta de como poderia um autômato conduzir um aluno às descobertas e à visão clara do mundo em torno?
Diante do quadro evidente que se verifica nas escolas brasileiras, em que tantos profissionais qualificados estão à mercê da própria sorte, resta a preocupante constatação de que, se não cuidarem dos professores, brevemente terão que dar um tratamento de choque à educação, pois esta já dá sinais claros de falência múltipla, tomara que não agonize brevemente.
Dalva Molina Mansano
Sinceros agradecimentos à Professora Tânia Meneses, colega deste Recanto, que gentilmente fez a revisão deste texto.
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“DIAGNÓSTICO
A Síndrome de Burnout não consta nas classificações psiquiátricas como o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV) e o Código Internacional de Doenças (CID-10). A Síndrome do Esgotamento Profissional integra a lista de doenças profissionais e relacionadas ao trabalho (Ministério da Saúde, Portaria n° 1339/ 1999), classificado como problema que leva ao contato com serviços de saúde (CID-10 Z73.0).
Segundo Maslach, Burnout é uma síndrome psicológica resultante de estressores interpessoais crônicos no trabalho e se caracteriza por exaustão emocional, despersonalização (ou ceticismo) e diminuição da realização pessoal (ou profissional). A exaustão emocional (EE) pode ser traduzida como fadiga intensa, falta de forças para enfrentar o trabalho e sensação de ser constantemente exigido além de seus limites emocionais. A despersonalização (DE) caracteriza-se por distanciamento emocional e indiferença em relação ao trabalho ou aos clientes atendidos pelo profissional. [...] O instrumento mais utilizado para o diagnóstico de Burnout é o Maslach burnout Inventory (MBI). Este inventário possui versões aplicáveis a categorias profissionais específicas: MBI - HSS (Human Services Survey) para pessoas da área da saúde e cuidadores ou serviços humanos e sociais, MBI-ES (Edicator´s Survey) e MBI-G ( General Survey) para educadores e para profissionais que não estejam em contato direto com o público ou serviço. No Brasil foram publicadas adaptações para o português das versões MBI-HSS e MBI-ES.”
A informação acima foi colhida da Revista Ciência & Vida Psique (Edição Especial) - pág. 50 - Trabalho Explosão de Estresse, por Maria Emilia Marinho de Camargo
REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS
DISPONÍVEIS EM
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Burnout#A_S.C3.ADndrome_de_.22Burnout.22_em_Professores,
Acesso em 22.07.11
LIBERDADE
LIBERDADE
Ainda que me quebrem os braços,
Ainda que me extirpem a língua,
Meu pensamento colherá flores
E dirá, em versos, de quem são.
Há tesouros escondidos
na obscuridade,
além da próxima esquina.
Mister é descobri-los,
Antes que piratas
_ com olhos bem abertos _
Carreguem a riqueza.
No fundo desta taça,
Com a qual brindo a verdade,
Vejo sobre a penteadeira
O perfume francês
E o batom escolhido
Para te enlouquecer.
Não, não vou embora pra Pasárgada
nem pra canto nenhum.
Quero aqui ficar
Procurando tesouros
na arte de viver.
O máximo que farei
será sobrevoar jardins
e buscar o mistério das pétalas.
Dentre elas destacarei
as que me lembram
que não sou amiga do rei.
Dalva Molina Mansano
ACERCA DA POESIA
Acerca da poesia
Há cantilenas e lamentos
Inútil esmiuçar
De definições
E esclarecimentos.
Não procure defini-la
Se o que nela há presente
É a importância de exprimi-la
Através do que se sente.
É bobagem explicar
Um coração desnorteado
Pela emoção modificado
E entregue ao sentir
Simplesmente.
Desista de entender
Uma alma comovida
Pelos olhos encantados
De quem a vê escondida
E entende o visto.
De que maneira conceituar
Das coisas a comoção
Das imagens
E dos sons
Que mexem no poço d´alma.
Insensato é reclamar
Ou por ela suplicar
Que pouse na palma
De nossas mãos.
Pertencem-lhe as rédeas
Impossível dirigi-la
É vã labuta, ofícios vãos.
Já que ninguém a possui
Solitariamente luta
unicamente é e está.
Dalva Molina Mansano
Há cantilenas e lamentos
Inútil esmiuçar
De definições
E esclarecimentos.
Não procure defini-la
Se o que nela há presente
É a importância de exprimi-la
Através do que se sente.
É bobagem explicar
Um coração desnorteado
Pela emoção modificado
E entregue ao sentir
Simplesmente.
Desista de entender
Uma alma comovida
Pelos olhos encantados
De quem a vê escondida
E entende o visto.
De que maneira conceituar
Das coisas a comoção
Das imagens
E dos sons
Que mexem no poço d´alma.
Insensato é reclamar
Ou por ela suplicar
Que pouse na palma
De nossas mãos.
Pertencem-lhe as rédeas
Impossível dirigi-la
É vã labuta, ofícios vãos.
Já que ninguém a possui
Solitariamente luta
unicamente é e está.
Dalva Molina Mansano
A PALAVRA
Dalva Molina MansanoFoto colhida do Google
A palavra tem a força de um aríete e pode derrubar muralhas em busca do bem.
Em contrapartida, pode ser como a seta envenenada que fere profundamente e sangra até a morte.
Dalva Molina Mansano
A palavra tem a força de um aríete e pode derrubar muralhas em busca do bem.
Em contrapartida, pode ser como a seta envenenada que fere profundamente e sangra até a morte.
Dalva Molina Mansano
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
QUE O NATAL SEJA LEGÍTIMO
Meus amigos, que o Natal de vocês seja legítimo, como legítimos e puros são os sorrisos das crianças;
Que a presença de Jesus seja constante em seus lares e brilhe em cada um de vocês, como brilham os ingênuos olhos infantis;
Que a simbologia do Nascimento de Cristo Menino seja um renovar de esperanças na humanidade e que os sonhos voltem a povoar a alma e a mente dos adultos, como povoam os corações sonhadores dos meninos e meninas;
Que o significado Natalino seja grandioso e simples como foi o nascer na manjedoura e como simples e grandiosa é a gargalhada de uma criança feliz;
Que se improvise diariamente um berço em cada lar, para o Menino Jesus, como se improvisa uma árvore nevada em galho seco e se obtém o sincero agradecimento das crianças;
Que a Lapinha seja humilde, mas rica da Presença Máxima do Salvador em Presépio familiar.
Assim, com corações puros e com simplicidade, será possível acolher verdadeiramente o Jesus que jamais nos abandonou e a Ele darmos Glória, tal qual as mãos infantes acolhem seus presentes e transmitem a felicidade que lhes chega por portas e janelas e os atinge diretamente naquilo que há de mais importante ao ser humano: o seu interior!
Dalva Molina Mansano
Dezembro de 2012
INSÔNIA
Raia a luz em minha janela,
colho esperanças de vida
ceifando em campo a macela
da longa noite perdida.
No varal de arame esticado
de ponta a ponta do dia,
um sol de crochê rendado
à espera da Ave Maria.
Meus olhos perfuram rendas
de cada ponto em correntes,
no fino tecido as sendas
cicatrizes em mãos quentes.
Dalva Molina Mansano
Dezembro de 2012
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