Dalva Molina-Encantamento

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QUINTAL DE CASA

sábado, 24 de novembro de 2012

BRASILEIRA FOI BARRADA NO AEROPORTO DE BARAJAS




Há pequenos fatos que nos incomodam e coisas consideradas de pequeno porte que nos atrapalham, mas que são fáceis de resolver, como uma pedra no sapato, por exemplo. É tão simples removê-la, para que continuemos a caminhar, normalmente.

Entretanto, desde o dia primeiro de dezembro deste ano, algo me incomoda muito mais que uma pedra no sapato. Algo que não se resolve com facilidade, pois depende de pessoas das quais a vida de outros está nas mãos.

Falo aqui da indignação que se apoderou de mim, quando li, nesta página de literatura, uma crônica que não é fictícia, mas que conta acontecimentos cotidianos do aeroporto de umas das maiores e conceituadas capitais mundiais, o de Madri, mais precisamente, Barajas.

Não posso acreditar em que seja cotidiana esta indecência da qual tomei conhecimento, pois é a terra dos homens que se lançaram ao mar e que adentraram terrenos alheios.
Assim o foi quando o genovês Cristóvão Colombo explicou à rainha da Espanha, na época, sobre o seu projeto em outro reino e esta o acatou, encarregando-o de levar a “boa nova” a plagas distantes, das quais tomaram posse e foram recepcionados e acolhidos, bem acolhidos, diga-se, até a presente data.

Esta crônica trouxe-me, também à memória, o episódio do bombardeio alemão sobre a cidade santa do país basco, Guernica, onde morreram 2.000 civis e 350.000 espanhóis tomaram o caminho do exílio. Foi-me impossível associar os fatos, porquanto, resguardadas as proporções, a dor da rejeição e da indiferença ao sofrimento permeia todo e qualquer indivíduo, seja de qual raça ou cor de pele for.

Como pode assim agir um povo que exportou tantos emigrantes em busca de melhores condições de vida, um povo que abriu novas civilizações com sua cultura e que sofreu as injúrias da guerra?

Recuso-me a acreditar em que a terra de meus antepassados, dos quais o sangue corre em minhas veias, em ritmo de “pasodoble” e de “flamenco”, age de forma tão deprimente junto a um povo que acolhe espanhóis de modo tão acolhedor, como foram meus familiares acolhidos, quando aqui aportaram.

Após tomar conhecimento de tão triste episódio ocorrido com a Sra. Tânia Maria da Conceição Meneses, professora conceituada em terras brasileiras, sinto-me apreensiva diante de possíveis acontecimentos, por mim , até então, considerados impossíveis.

Sabedora que sou de que o único erro desta cidadã brasileira foi amar terras espanholas, das quais é descendente por parte de pai e onde Deus escolheu para que um de seus netos viesse ao mundo.

O que me consola, diante de todo o relatado é que, conforme ela mesma diz, não podemos atribuir tamanha inoperância da paz diplomática a toda a gente espanhola, pois sabemos que é fruto de alguns operários de segurança mal orientados, os quais atropelam inclusive a justiça.

Dizer que o Brasil deve fazer o mesmo que eles fizeram, em retaliação, é atingir as raias da ignorância e igualar-se àqueles pobres de espírito que não souberam recepcionar a quem ama aquela terra sem exigências, apenas pelo prazer de amar.

Esperamos que a justiça seja prontamente edificada neste lamentável episódio e que a Sra. Tânia possa, ainda, escrever versos à terra de Cervantes.


Dalva Molina Mansano

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