Dalva Molina-Encantamento

Dalva Molina-Encantamento
QUINTAL DE CASA

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

SEM ESCAFANDRO







Em densa cortina fosca,

Balança a cachoeira em brados

Reproduzidos à flor d’água .



Com movimentos circulares,

embalando resquícios

da surpresa em queda,



círculos, círculos, círculos



No olho do furacão,

não arredo pé,

arrisco-me.



Molho-me inteira,

igualando-me em forças

mergulho sem escafandro.



Brumas escondem do poço

a imagem no fundo

em que as pedras perdem as formas.



Mexidas que são

revolvidas no marulhar

do espelho líquido.



A margem já não se reflete

em confusão

do que restou e flutua.



Espuma indefesa

inerme em mãos insistentes

arrimo de palmas.



Vazadas pelo estrépito

desespero neste vale

de sombras e brisas.



Em que tomo do pássaro

as asas e fico inerte,

tentando planar a alma.



Esta que não domino e

que tombada em vã tentativa

o vôo inverte.

2 comentários:

  1. coisa linda minha amiga. Tua poesia traz paz, sempre!beijos

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  2. Grata, amiga! Quero sempre poder levar a paz aos que me leem. Você é uma fiel leitora e seus textos também me dão lenitivo. Bjos.

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Que bom você ter me visitado! Deixe-me o encanto de suas palavras. Obrigada.