Dalva Molina-Encantamento

Dalva Molina-Encantamento
QUINTAL DE CASA

sábado, 1 de agosto de 2015

A LUA NÃO É AZUL


A lua não é azul,
(doce ilusão)
bisa-se plena.

De mais anil
e da lua é o rio,
suave canção.

Azul “Moon River”
(criador de sonhos)
Siga, get over.

Nossos caminhos
buscam o arco-íris
Iridiscente.

Mundos, viver
nuances além
do azul em mente.

Romances, veem
tonalidades
onde não tem.

Oh, rio da lua,
(oh, my “Moon River”)
Siga, get over!




Dalva Molina Mansano
11:53
01.08.2015

A LUA E MEU SONHO


Há uma lua no céu,
há um sonho em meu coração.
Ela passeia ao léu,
ele só, na mesma estação.
Dela é imenso o caminho,
traça a vastidão.
O meu sonho fica suspenso
exige, implora,
A lua vem e vai,
some, em ai
parte
e vai embora.
Meu sonho fica, não sai.
Latente, exigente,
crescente não míngua,
não cai
nem cabe no peito.
Toma-me inteira,
deixando-me deste jeito.
Os versos na língua,
até que o corpo dormente
Dá lugar ao sol,
descansa, desaparece.
Meu sonho não dá trégua,
amanhece e anoitece,
Faz plano, passa régua.
Ela se foi embora,
Eu dou lugar ao sonho.
Por ele faço prece,
companheiro tão tristonho,
de toda hora.


Dalva Molina Mansano

quinta-feira, 30 de julho de 2015

MEU PAI E EU - "O TEMPO E O VENTO"



As férias acabaram, resta-me, de sobra, este domingo ensolarado.
Tenho em mãos um livro de folhas amareladas, com o nome de meu pai, em tinta azul, no alto da capa. Tão característica a caligrafia de meu velho, que eu a reconheceria em qualquer parte do mundo.

Revejo-o na varanda de minha lembrança, acomodado na cadeira confortável, perna cruzada à moda masculina, cigarro de palha, feito criteriosamente, fumegando entre os dedos. Volta e meia, uma tragada. Nas mãos, o livro pelo qual se apaixonara e lera antes que eu o fizesse: Um Certo Capitão Rodrigo, de Érico Veríssimo.

Corria a década de setenta, eu também corria entre o trabalho e a universidade, cursava Letras Vernáculas. Adquiri o referido livro para leitura e análise, por solicitação de um professor. Em virtude de meu tempo escasso, podia ler apenas antes de dormir, quando voltava da Universidade. O sono chegava rapidamente e o cansaço não me permitia ler muitas páginas. Precisava de muitos dias para completar a leitura. Assim, meu pai, amante da arte de ler, leu a obra antes de mim, sentado na velha cadeira da varanda.
Comentava comigo sobre o aventureiro Capitão Rodrigo e sua rebeldia. Sem dúvida, inadvertidamente, ajudou-me a desenvolver meu trabalho de literatura.
O livro em minha estante ainda hoje, fala-me muito mais de meu pai, que do Capitão Rodrigo. Tomo-o nas mãos e revejo a coragem e simpatia do Velho Antônio tão semelhante às do Capitão. Entretanto, extremamente diferentes no que tange à conduta moral. Mas isto é assunto pra outra hora.
Devolvo o livro à estante, porque o domingo também corre, tal qual correu a década de setenta; corre como corri entre trabalho e estudos, como correram minhas férias; corre como corria o Capitão Rodrigo sobre seu cavalo; corre como correu a vida de meu pai ao meu lado.
Tudo corre como o vento.


Dalva Molina Mansano


JULHO -2015
VOOU


De tão triste, voou para longe
o passarinho
Não suportou a solidão
do triste ninho






Dalva Molina Mansano
21:55


imagem: Google
30.07.2015