Dalva Molina-Encantamento

Dalva Molina-Encantamento
QUINTAL DE CASA

sábado, 16 de novembro de 2013

DEPREENDO DE CLARICE LISPECTOR


fOTO: GOOGLE

Sem qualquer pretensão esconsa, percebo que tenho algo de Lispector, principalmente no tocante a urgências.
Digo isso, porque a leio e vejo que, também, tudo em mim é intenso, não sei viver pela metade.

Pensando bem, tenho muito dela, falta-me apenas e infelizmente a magia fina e indesculpavelmente personalíssima e magistral de sua escrita. Sim, ela é mestra em escrever. Todavia, Igualmente a ela "vivo a vida no seu elemento puro" e, por respirar profundamente Deus, mergulho, junto com as palavras de cada texto que escreveu, no coração do mistério.

Com consciência absoluta de que nada tenho de sua genialidade, em termos de talento literário, capto suas intenções e as absorvo amplamente. Mesmo sem a escrita, já aqui mencionada, fina de Clarice, consigo sentir o perfume de suas palavras e me vem a impressão de que foram ditas e a mim enviadas.

Então, associo-me a ela em sentimentos e bebo cada gole do amargo e do doce, ambos ousados, elegantes e repletos da profunda dimensão de viver cotidianamente.
Por isso, empresto dela tudo que não sei dizer e que me emociona a alma e respiro aliviada.

Dalva Molina Mansano
Londrina, 16.11.2013
12:17

CULTO AO CORPO

Via de regra, o ser humano direciona seus atos no intuito de realizar-se existencialmente e de alcançar a felicidade plena.

Independente da interpretação conceitual que se faça da felicidade, ela é um objetivo único, que apresenta diversas maneiras de viabilizar sua conquista, de acordo com preceitos culturais, morais e éticos.

As características decorrentes da vida moderna têm exercido a uniformização instrumental desta busca: o culto à beleza física que proporcione diferenciação e ascensão social.

Numa sociedade fundamentada na alta velocidade de ação e reação, seja na esfera política e econômica, seja na social, o estabelecimento de relações interpessoais depende da capacidade atrativa que a imagem pessoal exerce nos outros indivíduos. Evidente que esta afirmativa não deve ser generalizada, pois há aqueles que não se encaixam nesta hipótese e seguem outros parâmetros para realização pessoal.

O desenvolvimento técnico-científico possibilitou a dispersão instantânea e mundial da imagem pessoal. Com um click, um empregador tem acesso à imagem de diversos concorrentes a uma vaga de emprego.
Uma pessoa interessada em relacionar-se com outras distribui suas fotos em páginas de livre acesso na Internet; uma atriz iniciante tem sua atuação veiculada do outro lado do mundo.
Neste contexto dinâmico, tanto na distribuição quanto na diversidade de imagens pessoais, a boa aparência assegura maior visibilidade social, seja para o candidato a emprego, seja para a pessoa que busca relacionar-se, seja para qualquer um que queira ascender social e pessoalmente.
Logo, a imagem exerce a função de captar a atenção necessária à apresentação das qualidades não perceptíveis à primeira vista.
Desta forma, é saudável o cultivo de uma boa imagem.
O problema surge no instante em que esse cuidado torna-se exclusivo e o indivíduo negligencia seu desenvolvimento interior, inclusive a própria saúde. Afinal, toda apresentação pressupõe a exposição de um conteúdo que sustente as relações recém-estabelecidas e a ascensão social por elas proporcionada.

Relações baseadas somente em aparências e sem os requisitos básicos necessários ao ser humano são perigosas a toda e qualquer pessoa, pois tornam seu status social instável e sensível a qualquer abalo em sua imagem. É o caso, por exemplo, da atriz que é esquecida em sua velhice, pois construíra sua carreira estribada apenas numa beleza física, finita no decorrer dos anos.

Observando essa realidade, a boa aparência configura um ótimo artifício momentâneo de elevação e apresentação social, mas que não se sustenta sem predicados interiores.

Buscar saúde é bom, buscar beleza é bom, tão bom quanto procurar o convívio, pois são fontes de bem-estar e proporcionam qualidade de vida. Porém, ficar doente para conseguir o corpo desejado e fisicamente desejável é irracional.

O estabelecimento de um equilíbrio entre qualidades interiores e exteriores asseguram a consolidação das realizações pessoais, viabilizando ao ser atingir seu maior intento existencial: a felicidade.


Dalva Molina Mansano

15.11.2013
20:35